Portado por : Felipe Marques segunda-feira, 26 de outubro de 2015




Glória Menezes, Tony Ramos e Regina Duarte (Foto: Divulgação/TV Globo)
Glória Menezes, Tony Ramos e Regina Duarte (Foto: Divulgação/TV Globo)

Todos conhecem essas referências: Glória Menezes se jogando do alto de um prédio na Avenida Paulista enquanto Regina Duarte grita “LAURINHAAAA!”. Aracy Balabanian de peruca e roupa extravagante como Dona Armênia, tratando os filhos como “meus três filhinhas”, falando “beijinho no mamãe” e sua frase mais famosa “quero a prédio na chón!”. Também Antônio Fagundes gago, meio bobalhão, de óculos emendado com esparadrapo, dividido entre a “bailarina da coxa grossa” (Claudia Raia) e o “purgante'', que depois virou a “biscate” (Marisa Orth, hilária).
Um dos maiores sucessos da história da nossa televisão, a novela “Rainha da Sucata” está completando 25 de sua exibição. Foi ao ar entre 2 de abril e 26 de outubro de 1990 e ganhou uma reprise no “Vale a Pena Ver de Novo” em 1994 e outra recentemente, em 2013, no canal Viva. Com direção geral de Jorge Fernando, foi a primeira novela de Silvio de Abreu no horário nobre – o autor vinha do sucesso com comédias no horário das 7, nos anos 80 (“Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Cambalacho” e “Sassaricando”).
A história de Maria do Carmo (Regina Duarte), de origem humilde, mas que enriqueceu a partir do ferro-velho do pai (daí o título da novela). Perua cafona que sonhava em se casar com seu amor da juventude, o quatrocentão falido Edu (Tony Ramos). Mas ela tinha que disputá-lo com a madrasta do rapaz, Laurinha Figueroa (Glória Menezes), socialite arrogante, apaixonada pelo enteado.
Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Aracy Balabanian e Raul Cortez (Foto: Divulgação/TV Globo)
Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Aracy Balabanian e Raul Cortez (Foto: Divulgação/TV Globo)

Rainha da Sucata'' vinha no rastro do sucesso da lambada, mostrada na abertura ao som do hit “Me Chama Que Eu Vou”, cantado por Sidney Magal. De quebra, Maria do Carmo lutava na justiça pela posse de um prédio na Avenida Paulista, onde mantinha a Sucata, uma casa de shows – que tocava lambada, lógico! Dona Armênia (Aracy Balabanian) se dizia proprietária do terreno e seu bordão foi um grande sucesso na época: “Quero a prédio na chón!”.
Outro bordão da novela que caiu na boca do povo foi “coisas de Laurinha!”, repetido pelo ricaço falido boa-praça Betinho Figueroa (Paulo Gracindo), sempre se referindo à sua mulher Laurinha. Esta, por sua vez, termina a novela suicidando-se para culpar sua inimiga Maria do Carmo: se joga do alto do prédio da Sucata, numa sequência antológica.
rainhadasucata_dvdA área de desenvolvimento comercial da Globo lançou recentemente o DVD de “Rainha da Sucata”, um box de 12 discos com aproximadamente 35 horas de duração. À venda por um preço médio de 180 reais.
Mas nem tudo foram flores. O início da novela foi complicado. A trama começou com rejeição endossada pela mídia. Em 1990, Fernando Collor assumiu a presidência da República e seu plano econômico, que confiscava as cadernetas de poupança, foi lançado enquanto “Rainha da Sucata” estava começando. A Globo foi acusada de saber das intenções de Collor e não ter alertado a população, já que a novela tratava desses assuntos quentes. Na realidade, por causa do plano do governo, várias cenas tiveram que ser refeitas às pressas, para incluir essa nova realidade dentro das tramas dos personagens.
Aproveitando o alarde para desqualificar a novela, muito se comparou “Rainha da Sucata” com “Pantanal”, folhetim de Benedito Ruy Barbosa que fazia o maior sucesso na TV Manchete. Só que as duas novelas não eram concorrentes. A trama da Manchete começava depois que terminava a da Globo (se chegaram a bater de frente, foi por no máximo dez minutos). Por isso, na época, a Globo aboliu as “cenas dos próximos capítulos” (expediente que retornou logo depois), para segurar o telespectador para a atração seguinte, sem dar tempo para trocar de canal. Mas de nada adiantou: “Pantanal” foi um êxito absoluto e inquestionável.
Não é de se estranhar que, hoje em dia, a Globo alongue o “Jornal Nacional'' para minimizar o confronto direto de sua novela “A Regra do Jogo'' com o sucesso de “Os Dez Mandamentos'' da Record. De fato, “Rainha da Sucata'' sofreu alguns ajustes para se adequar ao gosto do telespectador. Silvio de Abreu intensificou o drama para conquistar o público do horário. E aí a novela deslanchou.
Apesar da rejeição inicial, “Rainha da Sucata'' terminou em outubro de 1990 como um grande sucesso. Passaram-se 25 anos, os emergentes de ontem são chamados hoje de “nova classe C”, enquanto biscate hoje é periguete. Mudou a forma de assistir TV e a relação que o brasileiro tem com ela. Mas “Rainha da Sucata” permanece na memória afetiva popular, pelas tramas envolventes, ora emocionantes, ora hilariantes, e pela galeria de personagens inesquecíveis.
Fonte: Uou - Nilson Xavier

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