Portado por : Felipe Marques segunda-feira, 7 de setembro de 2015


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Celebridade

(versão revista)


Novela de Gilberto Braga

Escrita com

Leonor Bassères, Sérgio Marques
Márcia Prates, Maria Helena Nascimento
Denise Bandeira
Colaboração de Marília Garcia


Direção

Amora Mautner, Vinicius Coimbra


Direção Geral

Marcos Schechtman
Dennis Carvalho


Núcleo

Dennis Carvalho


Personagens deste capítulo


ADEMAR
ANA PAULA
BEATRIZ
BRUNO
CORINA
CRISTIANO
DARLENE
ELIETE
ERNESTO
FABIANA
FERNANDO
IARA
IVAN
JAQUELINE
JOEL
KÁTIA
KLÉBER
LAURA
LINEU
MARCOS
MARIA CLARA
NELITO
NOÊMIA
OLGA
OTÁVIO
RENATO
SALVADOR
TERESA
VITÓRIA
VLADIMIR
WANDERLEY
XAVIER
ZAÍRA
ZECA

Participação Especial:

CANDIDATA A ASSISTENTE, LOCUTOR, MOTORISTA DO TÁXI, CELEBRIDADE, RECEPCIONISTA HOMEM NA FESTA DA CELEBRITY, RENATO MAIS VELHO



CENA 1. CLIP. ambiente. Exterior. Dia/noite. 
Várias imagens de pessoas famosas consagradas, estrangeiros e brasileiros, material de arquivo ou produzido, fotos misturadas com filmes (?), a ser resolvido com a direção. Última em livraria lotada, fila enorme para autógrafos de uma mulher tipo pin-up autografando uma revista do gênero Playboy com ela própria na capa. 
Renato — (off) Intelectual?! 
Corta para:

CENA 2. revista celebrity. redação. Interior. Dia. 
Reunião já começada. Entre os participantes, o editor Renato, sua secretária Fabiana e os repórteres Joel e Vitória. Diálogo rápido, muito ritmo. 
Renato — (cont.) Pirou, Vitória? Isso aqui não é revista da Academia Brasileira de Letras, intelectual na Celebrity só uma bela loura turbinada que escreva umas memórias apimentadas, político só corrupto! Ou corno!
Efeito e letreiro com nome do personagem: RENATO.
Vitória — Corno esse cara parece que é. 
Renato — Mas ninguém conhece a mulher dele, esquece. 
Joel — E o show do Simply Red hoje em São Paulo, só vai mesmo fotógrafo?
Renato — Só fotógrafo, eu vou porque os colunistas foram convidados, pra apresentação no Rio dá tempo da gente bolar alguma coisa. (tom) O lançamento do CD do Carlos Flores, dia 8.
Fabiana — O procurador da república? Tá cantando também?
Vitória — Disco de conceito, homenagem à jovem guarda. 
Joel — Já tá na pauta. (tom) Tamos precisando nesse número de alguma coisa bem romântica.
Efeito e letreiro com nome do personagem: JOEL.
Renato — Nenhuma lua de mel pra revista patrocinar?
Vitória   — Só quem vai casar é o Fábio Montez.
Joel — Ia, a noiva fugiu com o piloto do helicóptero.
Renato — (sério, rápido) Entra em contato, acerta umas fotos com ela entrando no helicóptero vestida de noiva. Pra viver com o salário do piloto vai ter que complementar a renda.
Fabiana — Você aprovou a lista de convidados pra nossa festa?
Renato — Tá faltando padre, nem um padre, Fabiana? Procura no arquivo os padres que foram aos desfiles da Semana da Moda.
Fabiana — Mas padre, será que...
Renato — Vêm correndo, aparecer na Celebrity!
Vitória — E a capa pro dia 25, pensou?
Renato — Se não pintar coisa mais atual, separação, acidente, chifração, crime, acho que a Maria Clara.
Fabiana — Maria Clara Diniz?
Renato — (off) Tá fazendo 15 anos que Musa do Verão estourou nas rádios e ela virou modelo famosa. Continua lá em cima, empresária, agora tá trazendo o Simply Red, bem mais tempo do que o Andy Warhol previu, gente, 15 anos!
Já cortou antes para:

CENA 3. rua carioca. ambiente. Exterior. Dia. 
Com a última fala da cena precedente em OFF, imagens muito rápidas. Ônibus pára, Laura salta, bem modesta. Olha um enorme outdoor de Maria Clara Diniz, linda, em publicidade de bom gosto dos produtos de beleza Summer Spell. Planos alternados de Maria Clara, linda, no outdoor, e Laura olhando, fascinada.
Corta para:

CENA 4. empresa melo diniz. sala maria clara/ante-sala. interior. dia.
Na SALA DE MARIA CLARA, ela e a assistente Zaíra. (Nas paredes, há fotos de Clara com diversas celebridades.) 
Maria Clara — Negativo, Zaíra, dei três chances pra Ivete, ela tava sabendo que não ia ter a quarta, muita gente precisando trabalhar, a garota mente, falta, não dá, a Noêmia já tá selecionando candidatas. Sem sentimentalismo, OK? 
Efeito e letreiro com nome da personagem: MARIA CLARA.
Zaíra — E a reportagem de capa pra Celebrity, posso dar resposta?
Maria Clara — Diz que eu vou fazer. E vê se dá preles chamarem o Bruno pras fotos.
Corta para a ANTE-SALA, alguma movimentação. Abre em Laura de costas para Noêmia e para a cam., acabando de achar um cartão em arquivo, já falando, primeiro off. Outras candidatas esperando, gente passando. Daqui a pouco, Maria Clara vai sair de sua sala.
Laura — (off) Tá aqui o telefone que a senhora falou pro rapaz que queria. 
Noêmia — (impressionada) Não precisava, você é tão prestativa! 
Laura — (agora virando-se e se revelando) Prestativa nada, não vai ser meu trabalho se eu for escolhida? (simples, franca, modesta, vibradora) Eu vou ver a Maria Clara Diniz pessoalmente?
Efeito e letreiro com nome da personagem: LAURA.
Noêmia — (simpática) Se for escolhida vai ver a Clara todos os dias, a empresa não é tão grande assim, mas são muitas candidatas, como é mesmo o seu nome?
Laura — Laura.
Noêmia — Fala algum idioma?
Laura — Inglês. Não feito o português, mas... falo. E arranho o francês e o espanhol.
Noêmia — Vem até a minha sala preencher o formulário.
Clara está passando, Laura deslumbrada, emocionada.
Noêmia — (a Clara) O Otávio ligou que já tá te esperando aí embaixo. 
Maria Clara — (saindo) Me avisa assim que você chegar a São Paulo, vamos juntas pro show. 
Laura — (num esforço de coragem, Clara já afastada) Não dá pra... me apresentar?
Noêmia — Muito ocupada.
Corta para:

CENA 5. porta SHOPPING DA melo diniz. ambiente. Exterior. Dia. 
Maria Clara vem saindo, Otávio espera, parado do lado de fora de seu carro. Quando ela vai entrar, Ivan, um paparazzo, os aborda correndo, para tirar foto.
Ivan — (dá ordem) Dá um beijo nela!
Maria Clara entra no carro, de saco cheio. Otávio fala com o fotógrafo, firme.
Otávio — Quê isso, rapaz, dando ordem pra quem? Você pediu licença a alguém pra tirar fotografia?
Ivan — Custa?
Otávio — (firme) Ela trabalhou o dia todo, vai pra São Paulo, tá cansada e sem nenhuma vontade de tirar foto. 
Efeito e letreiro com nome do personagem: OTÁVIO.
Ivan — Dá um toque nela, cara, pelo amor de Deus! Pra você também é bom, publicidade, quem é que te conhece? (suplica) O chefe disse que se eu conseguir os dois se beijando ganho aumento, tô precisando demais, tenho família...
Otávio ignora, entra no carro pra partir. Um amigo de moto se aproxima de Ivan, carro partindo.
Ivan — Namorado da Maria Clara Diniz, saiu nota em coluna. Executivo aí duma multinacional, rico, ninguém conhece e ainda fica botando banca! 
Corta rápido para:

CENA 6. externa carioca. ambiente. Exterior. Dia. 
Carro de Otávio estacionado. Ele conversa com Maria Clara, vendo vista belíssima, os dois de bom humor.
Maria Clara — Tudo mentira, Otávio, nem tem chefe, é frila, conheço, vende a foto pra revista que pagar mais.
Otávio — Difícil de entender, pô, você ficou famosa como modelo, mas hoje é empresária, aparece em poucas campanhas!
Maria Clara — Acho que é porque eu não namorei ninguém esses anos todos e saiu aquela nota no jornal. (meiga) E já deve ter gente sabendo que você é gato.
Otávio — Pensei que esse tipo de assédio era só com artista de televisão.
Maria Clara — (faz carinho nele) Pra você eu entendo como deve ser chato. O pessoal mais visado reclama demais de certos fotógrafos. Dão ordem mesmo, acham que tão te fazendo um favor, ainda bem que não são todos, tem profissionais de primeira na imprensa. E muita gente adora publicidade, fatura em cima disso, colabora até com idéia idiota.
Otávio — E quem não adora, como é que fica? É considerado louco, pervertido? 
Maria Clara — (brinca) Ah, incurável, doença seríssima, tem que internar, como, não quer aparecer em revista? (séria) De repente era até melhor topar uma foto do teu lado, no meu caso acho que saindo uma vez perdia o interesse.
Otávio — Não gosto, Clara, temperamento. Ou doença, não é? (meigo) Prefiro continuar na minha, convites no teu nome, legenda de foto Maria Clara Diniz e acompanhante... (carinho, vai beijar) Garanto que tenho minhas compensações.
Otávio beija Maria Clara apaixonadamente. Tempo.
Corta para:

CENA 7. espaço mega-show. são paulo. Interior. Noite. 
Instantes antes do início do mega-show. Interessam-nos Renato, com acompanhante linda, recebidos por Zaíra. Durante todo o tempo, flashes de fotógrafos espoucando, ele e a acompanhante gostam de tirar fotos.
Zaíra — Não gostou da mesa, Renato?
Renato — (se contendo) Não sei, talvez pudesse ser mais central, aquele ali (no centro) não é o Xexéo? 
Zaíra — Eu vou tentar trocar. Não sei se dá tempo porque vai começar dum momento pro outro.
Show começa, o casal faz pôse, mais duas fotos.
Renato — (sarcástico) Tá bom aqui mesmo, minha filha, não dá tempo de trocar não. (aponta) Pelo menos o Zuenir eu vi que vocês conseguiram botar bem perto do palco, a Joyce Pascovich também...
Corta descontínuo para parte de uma canção do show. Tempo no show. Corta para Maria Clara, Noêmia e Zaíra nos bastidores, durante esta canção. Clara tensa.
Maria Clara — Vai dar rolo, o Renato é um pavão!
Zaíra — E eu acho que pisei na bola, falei que ia tentar trocar... não podia dizer tentar, dizia que atrasava o início, sei lá!
Noêmia — Puxa-saco do Lineu, péra aí, gente, o patrão do cara tem interesse no sucesso do show!
Maria Clara — Não sei, não. Se tem jornalista importante em mesa melhor que a dele...
Corta descontínuo para o final do show. Público aplaude freneticamente. Corta para Noêmia tentando segurar Renato em sua mesa, ele já vai sair com a moça.
Noêmia — A Maria Clara pediu demais pra você esperar por ela, tá vindo pra te acompanhar até os bastidores, falou que essa não era a sua mesa, foi engano!
Renato — (sarcástico) Mas que besteira, a mesa era ótima! Pra escrever duas ou três linhas pra meia dúzia de gatos pingados que ainda lê a minha coluna eu vi o show muito bem! (afastando-se) Vocês lêem a minha opinião no jornal.
Vai saindo com a acompanhante, Noêmia preocupada.
Corta para:

CENA 8. empresa melo diniz. ante-sala/ sala maria clara/ sala noêmia. Interior. Dia/noite. 
Dois dias depois. ANTE-SALA. Movimento. Laura, muito decepcionada, com Ademar disfarçando, constrangido, falando atabalhoado. 
Laura — Só falta um teste e essa entrevista. Mas eu pensei que... a Maria Clara Diniz fosse me entrevistar pessoalmente... 
Ademar — Como se fosse! Praticamente a mesma pessoa. A mesma não, porque... bom. Maria Clara é Maria Clara. 
Laura — (consigo mesma) D. Noêmia... 
Ademar — Braço direito da chefe. E hoje... acho que a Maria Clara não ia ter condição de entrevistar nem o Papa, se Sua Santidade tivesse querendo um biscate mais sossegado, sem tanta viagem, brincadeira, hein, sou católico. 
Efeito e letreiro com nome do personagem: ADEMAR.
Laura — Eu também, por sinal mas não entendi o que tem a ver o Papa com/
Ademar — Você leu o comentário no Correio? Do Renato Mendes?
Laura — Ele... não gostou do show? 
Ademar — O Renato, desculpe a expressão, mas ele... Sabe cacete, mas cacete firme? Desceu o pau! Eu tô nisso faz tempo, garota, nunca vi ninguém esculhambar um show com tanto gosto. Pode até prejudicar a bilheteria aqui no Rio, a coluna do Renato é lida pra caramba...
Corta para SALA DE MARIA CLARA, ela, Ernesto e Zaíra vendo a coluna de Renato no Correio Carioca, produzir. Não é coluna social, meia página, assuntos variados.
Maria Clara — Eu... não acredito!
Ernesto — Não acho que vá prejudicar venda de ingresso.
Maria Clara — E a desmoralização? A injustiça! Como é que ele tem coragem! Arrogante, mau-caráter, presunçoso, porque não gostou da mesa?
Zaíra — Calma, Maria Clara!
Maria Clara — Isso não vai ficar assim de jeito nenhum, mas não vai mesmo, eu vou pensar em alguma coisa, vocês vão ver!
Ernesto — Procura o Lineu! Enquadra o cara!
Efeito e letreiro com nome do personagem: ERNESTO.
Maria Clara — Ele arruma uma desculpa, tem que ser de outro jeito... (estalo) Péra aí!
Zaíra — (vibrando) Fala!
Maria Clara — Pega as listas de telefone do Rio e São Paulo, isso tem que ser rápido!
Corta para SALA DE NOÊMIA, que está terminando de entrevistar Laura.
Noêmia — Bom, muito bom... E morou nos Estados Unidos quanto tempo, Laura?
Laura não responde.
Noêmia — Você tá se sentindo bem? 
Laura — Desculpa, Noêmia. É que de repente... (tom) Enquanto eu tava esperando li a crítica do Renato Mendes. Soube que ele só falou mal porque não gostou da mesa onde estava sentado... Como é que um jornalista pode fazer uma coisa dessas!? Eu imagino o trabalho que a Maria Clara teve pra trazer o Simply Red! 
Noêmia — (concorda) Foi lindo. Emocionante, de arrepiar. (tom) Eu vou deixar você aqui, pra fazer com calma o último teste. Sua entrevista foi muito boa. A Maria Clara prometeu que até amanhã decide quem vai ser a nova assistente.
Corta descontínuo para Maria Clara em sua SALA, com Ernesto e Zaíra, diante dos catálogos de telefone e vários jornais. Agitação. Zaíra lendo catálogo telefônico. Aqui já é noite, mostrar pela luz. 
Maria Clara — Olha aí, mais um comentário positivo!
Ernesto — Todo o mundo elogiando, neutraliza o Renato!
Maria Clara — Tô por aqui com ele! até que horas dá pra colocar os anúncios?
Zaíra — (vibrando) Achei mais um, olha!
Corta rápido para:

CENA 9. revista celebrity. sala renato/ redação. Interior. Dia. 
Manhã seguinte. Renato estarrecido com Fabiana e Joel vendo anúncio de página inteira em todos os jornais do Rio e São Paulo, produzir o do Correio Carioca. Citações de frases de críticos, especialmente elogio longo assinado por Renato Mendes.
Renato — (estarrecido) Botou anúncio de página inteira!
Fabiana — Nos jornais do Rio e São Paulo.
Renato — Eu não acredito no que eu tô vendo! Uns confetes desses babacas...
Joel — E essa cascata de elogios no teu nome!
Fabiana — (lendo) “O melhor show jamais apresentado na América Latina, luz perfeita, som impecável, emocionante, vibrante, inesquecível. Renato Mendes.”
Renato — Ela pensa que vai brincar assim com o meu nome? Vou pra lá agora, liga pros meus advogados, processo, vou reduzir a Maria Clara a pó, quem é que essa folgada tá pensando que é?
Corta para a REDAÇÃO, movimento. Interessa-nos Jaqueline pedindo informação a Vitória.
Jaqueline — Uns 60 anos, chama Vítor, trabalha de garçom. (mente) Pra encher o tempo, aposentado. É meu tio.
Vitória — Ele falou que trabalha numa revista da Editora Vasconcelos?
Jaqueline — (suspira) Minha filha, a revista aqui não é a Celebrity?
Vitória — Uma delas. Tem uma em cada andar, de vários gêneros, é uma empresa enorme!
Jaqueline — Você não entendeu, não tô falando revistinha de política, teatro, essas bobagens, revista de gente famosa!
Efeito e letreiro com nome da personagem: JAQUELINE. 
Vitória — Seu tio falou que trabalhava na revista dos famosos?
Jaqueline — Mais ou menos, não vejo há cinco anos, mas é a única pessoa que eu conheço no Rio que pode me ajudar. Conhece pessoalmente o Romário, a Narcisa Tamborindegui...
Vitória — Aqui na Celebrity te garanto que não tem garçom nenhum chamado Vítor. Mas procura nos outros andares. E se não encontrar tenta na festa da revista logo mais, te dou o endereço, seu tio pode tar trabalhando pra firma que atende a Celebrity.
Jaqueline — (vibra) Festa da revista? Você me arruma convite?
Vitória — Tô dizendo pra procurar seu tio, garota, pela entrada dos fundos!
Corta rápido para:

CENA 10. empresa melo diniz. sala maria clara/ ante-sala/ sala noêmia. Interior. Dia. 
Renato enfurecido com Maria Clara e Ademar. Muito ritmo, falam bem alto.
Renato — Quem é que você está pensando que eu sou?
Maria Clara — Calma, Renato, o quê que é isso?
Renato — Já consultei os advogados, eu vou destruir você, sua irresponsável, se você pensa que pode brincar com o meu nome tá muito enganada!
Maria Clara — Mas do que é que você está falando?
Renato — Um rosário de elogios assinado por Renato Mendes!
Maria Clara — Mas... você tá achando que é o único Renato Mendes que existe no Brasil?
Tempo. Renato embatucado.
Maria Clara — (casual) Ademar, chama o Renato. 
Ademar — (a Renato) Um segundo só. 
Sai, divertindo-se. Na ANTE-SALA, Laura e outras candidatas esperam resultado do teste. Zaíra diante delas, enquanto Ademar sai da sala de Clara.
Laura — Vão dizer quem foi escolhida hoje mesmo?
Zaíra — Assim que umas coisas aí se acalmarem a Noêmia vem falar com vocês. 
Durante o diálogo acima, Ademar leva um senhor idoso para a sala de Clara.
Corta para SALA DE MARIA CLARA, Ademar entrando com o senhor idoso. Clara apresenta a Renato.
Maria Clara — Tenho a honra de lhe apresentar o meu amigo Renato Mendes. 
Renato mais velho — Seu criado.
Maria Clara — Seu Renato trabalha como ascensorista de um prédio aqui perto, foi pra São Paulo comigo, viu o show da minha mesa, e gostou tanto que fez os elogios que estão no jornal.
Renato mais velho — Ah! Adorei! 
Ademar — (cínico) Ele vai muito a São Paulo, não perde um show internacional. 
Renato — (enfurecido) Isso não vai ficar assim de jeito nenhum! Eu provo que esse velho não arredou os pés do Rio, você vai ter de apresentar testemunhas de que ele viu o show, vou te processar por calúnia e difamação, há outros jornalistas no anúncio, sua intenção é muito clara, eu consigo provar que/
Maria Clara — (saindo, divertindo-se) Processa correndo e divulga bastante, vai pra televisão, diz que eu sou picareta, vai ser assunto no mínimo até a estréia aqui no Rio, e quanto mais você espernear mais ingressos eu vendo! Você vai parecer um pouco otário mas eu sei que você é superior a essas coisas... 
Renato passado. Corta para ANTE-SALA. Laura e outras candidatas conversam, esperando resultado dos testes. Noêmia vai entrar.
Candidata — Com quantos anos ela foi a Musa do Verão?
Laura — 17. Mas não foi só isso, muita gente não soube aproveitar a fama do jeito que ela aproveitou, a Maria Clara Diniz batalhou muito pra chegar aonde chegou, não é só bonita, não, é inteligentíssima, é/
Laura pára de falar porque Noêmia entra, candidatas a cercam. Noêmia fala com elas, humana, penalizada.
Noêmia — Era só uma vaga, gente, quase vinte candidatas. A escolhida foi a Érica, eu já telefonei.
Decepção geral. Laura praticamente catatônica, uma lágrima rola de seu rosto. Enquanto Noêmia se afasta seguida pelas outras candidatas, que lhe fazem perguntas, fora de áudio, Zaíra aborda Laura, com pena.
Zaíra — Não fica assim!...
Clara vai sair de sua sala e passar rapidamente, Laura vai tentar abordá-la.
Laura — (quase chorando) Se eu pelo menos pudesse falar com ela/ (vê Maria Clara, aborda rápido, modesta) Por favor, Maria Clara, eu me chamo Laura, eu/
Maria Clara — (corta, saindo, fria, mecânica, não grossa) Agora não dá, com licença.
Clara caminha para sair do escritório. Laura tem uma crise de choro forte. Zaíra tenta consolá-la.
Zaíra — O que é isso, menina? Pára com isso...
Corta descontínuo para SALA DE NOÊMIA, esta com Laura, Noêmia serve água com açúcar. Laura tenta se recompor. 
Laura — Agora é que eu acabei de estragar tudo, não podia ter incomodado desse jeito, não sei o que foi que deu em mim, é que ela passando assim na minha frente, pra mim é um mito, entende?
Noêmia — Não faz drama, a única coisa que aconteceu foi que você fez teste pra  assistente e não foi a escolhida.
Laura — Fui inconveniente. E pretensiosa, meu Deus do céu! Achei que se conversasse com ela ia mostrar que tinha capacidade, eu sou atrapalhada mesmo, desespero, trabalho tá tão difícil... Você acha que algum dia eu vou conseguir falar pessoalmente, ficar cara a cara com ela?
Noêmia — Difícil, Laura, a Maria Clara não tem tempo pra nada. (pena) Mas faz uma coisa. Volta dia 25. Ela tá resolvendo se faz um evento em janeiro, no Rio Centro. Se fizer, vamos precisar de gente, se você trabalha direito vai se enturmando, tem que ter um pouco de paciência...
Corta para:

CENA 11. rio. zona norte. planos gerais. ambiente. Exterior. Dia. 
(Este rápido clip e os planos gerais da cena seguinte são para apresentação do samba-tema do bairro do Andaraí: No tempo do Dondom, de Nei Lopes. Até a primeira fala de Darlene na cena seguinte devemos ter aproximadamente 1 minuto.) Tomadas de helicóptero começando pela Praça da Bandeira, Estádio do Maracanã, bairro de Vila Isabel, bairro do Andaraí. Em seguida, gente passando em ruas características da zona norte carioca, gente saltando de ônibus, ou o que a direção decidir. (Nada de trem, porque é zona norte e não subúrbio.)
Corta para: 

CENA 12. ANDARAÍ. gerais/ barbearia de salvador. exterior/ Interior. Dia.
Planos gerais das nossas ruas cenográficas, crianças brincando, meninos jogando futebol, gente passando, até chegarmos ao interior da BARBEARIA. Em algum local o cartaz: SALÃO DALILA. Barbeiro com cliente, manicure Adelaide com outro. Salvador terminando a barba de Joel, afasta-se por um momento, Darlene aborda Joel. Movimentação.
Darlene — (a Joel, cabreira) Tô sabendo da festa da revista essa noite, viu? 
Joel — Apresentação do júri pro Troféu Celebridade.
Darlene — Convite pra mim nem vou perguntar, já tô acostumada com suas desculpas. 
Joel — Em cima da hora, Darlene!?
Darlene — Um dia é em cima da hora, no outro é antes da hora, se depender de você fico de manicure o resto da vida!
Efeito com letreiro com nome da personagem: DARLENE.
Joel — (cantando) Podia ser mais amiga, né? Se a gente saísse... Se eu pudesse te conhecer melhor...
Darlene — Sou séria, tá sabendo? Pra me conhecer melhor tem que ser famoso, top de linha, não reporterzinho chinfrim que não arruma nem convite pra festa!
Joel — Olha aí, vou provar que tenho apreço por você. Arrumo pra ser recepcionista no lançamento do CD do Carlos Flores.
Darlene — (animada) Vai ter VIP?
Joel — Assim de VIP!
Salvador — (intervindo) Ontem a Noêmia comentou um troço que tá remoendo aqui, Joel.
Darlene vai trabalhar para não ser repreendida.
Joel — O que foi, seu Salvador?
Salvador — Esse tal de Troféu Celebridade. Falou que o meu filho tá cotado.
Joel — Pra categoria especial, tá sim, divulgação da cultura brasileira no exterior. Esse último filme que o seu filho produziu, passado em Recife durante a guerra, tá bombando na Europa, seu Salvador, bombando mesmo!
Salvador — Mas o prêmio não é coisa lá da editora do Lineu?
Joel — É. Promoção da revista Celebrity.
Salvador — Nunca que o Lineu vai deixar darem um prêmio pro Fernando.
Joel — Não é ele que decide, seu Salvador. Ele convida um júri, gente séria, o que o júri decidir tá decidido, o júri é soberano.
Salvador — O Lineu dá um jeito. Odeia o meu filho, não vai perdoar nunca. Eu já me conformei, viu, Joel? Ainda bem que eu tenho a chance de ver os meus netos quando posso viajar. Porque aqui pro Rio o meu filho não vai voltar nunca.
Efeito com letreiro do nome do personagem: SALVADOR.
Corta para:

CENA 13. editora vaSCONCELOS. sala de lineu. Int. Dia. 
Secretária Olga trabalhando, discreta, enquanto Lineu, poderoso e autoritário, examina fotos em seu computador, com Renato. Na parte final do diálogo, motorista Xavier vem falar com Olga e vamos a eles.
Lineu — Pra capa da Celebrity do dia 28 não estava prevista a Maria Clara Diniz?
Renato — (disfarça) Prevista não é bem a palavra, meu tio. Tínhamos... cogitado, mas é pouco imaginativo, vamos partir pra alguém mais em foco no momento.
Lineu — E quem é que pode estar mais em foco? Maria Clara está comemorando 15 anos de carreira, modelo exclusivo da Summer Spell, meus interesses, a produtora de shows vai de vento em popa, patrocínio meu! Além de tudo, nunca escondi que simpatizo com ela!
Renato — Eu... posso tentar rever...
Lineu — (vivo) Isso não teria relação nenhuma com o anúncio que ela mandou publicar fazendo você de palhaço, teria?
Renato — Ora, meu tio, uma brincadeira, levei no bom humor, eu tenho fair play...
Lineu — Pois continue tendo. E ela fica na capa.
Efeito e letreiro com nome do personagem: LINEU.
Lineu — Outra coisa. É verdade que aquela criatura cujo nome eu não pronuncio, o cafajeste, está cotado pra ganhar Troféu Celebridade?
Renato — Há... boatos... as indicações só saem semana que vem... esta noite temos a festa de apresentação do júri...
Lineu vai saindo e Renato segue, puxa-saco sem fazer comicidade disso, discreto, Renato não é lambe-botas.
Lineu — Não são vocês que escolhem o júri? Tem que poder influenciar, eu não vou deixar darem prêmio praquele cafajeste de jeito nenhum!
Saíram, cortamos pra Olga e Xavier, conversa começada.
Xavier — (baixo) Odeia tanto o filho do barbeiro por quê?
Olga — Namorou a filha dele quase 20 anos atrás, falavam em golpe do baú, filha única, herdeira disso aqui tudo! A garota engravidou, dr. Lineu soltou os cachorros, os dois fugiram pro estrangeiro e... (off) se era golpe do baú ou não, difícil de saber. O fato é que o rapaz venceu sem a ajuda de ninguém, virou produtor de cinema lá fora, maior sucesso, tá rico, li outro dia que estava cuidando do lançamento do último filme sabe onde? Paris!
Já cortou antes para:

CENA 14. paris. margem do sena/ rua. Exterior. Dia. 
Abre em close de Fernando correndo, de calção, tênis, camiseta, pinta e energia de atleta rico. Aos poucos, a câmera vai abrindo, até abrir muito e vermos que ele corre à margem do rio Sena, visual deslumbrante super característico de Paris, Notre-Dame ao fundo, ou a parte lateral do Louvre, com as lindas árvores e luminosidade característica. Seguimos Fernando um pouco. Corta descontínuo para continuação da corrida de Fernando em direção a seu hotel, em outra rua de charme. (A palavra Paris só deve vir na fala em off quando já identificamos a cidade.)
Corta para:

CENA 15. paris. saguão de hotel de luxo. ambiente. Int. Dia. 
Fernando chegando da corrida, suado, funcionário do hotel lhe passa toalha, Fernando enxuga um pouco o rosto enquanto fala com sua mulher, Beatriz, de saída para compras.
Fernando — (beija) Mais compras, Beatriz?
Beatriz — Vou só dar uma olhada nuns tapetes, perto de Barbès, a Marie-Thérèse disse que estão com uns preços ótimos! 
Efeito com letreiro do nome da personagem: BEATRIZ.
Beatriz — (tom, sem ter parado) O repórter do Libê chegou antes da hora. (indica repórter e fotógrafo)
Fernando vai cumprimentar enquanto já é fotografado.
Fernando — (sorridente e simples) Bonjour, j’ai besoin de juste dix minutes pour une douche, c’est vite fait.
Efeito com letreiro do nome do personagem: FERNANDO.
Corta para:

CENA 16. casa maria clara. salas. Interior. Dia. 
Maria Clara, chegando apressada, dá ordens à sua copeira-arrumadeira Iara. D. Corina perseguindo os netos Guto e Dudu que andam de patins pela sala. Afastada, Eliete, sacoleira, tenta vender brinquedos de criança para Ana Paula. 
Maria Clara — Deixa a correspondência no meu quarto e não esquece o vestido pra logo mais, faz muito tempo que a Eliete está aí?
Iara — Meia hora, tava lá na cozinha, a Célia comprou um walk-man tão bacana!
Corina — (às crianças) Lá pra fora, todos dois, sua tia chega cansada do trabalho, ela é boazinha mas aqui não é a casa de vocês!
Corta para Eliete com Ana Paula, Nelito vai intervir.
Eliete — (alguma fala de improviso sobre brinquedo) Olha só, faz... Achei que os meninos iam curtir.
Ana Paula — (indecisa) Dá pra pagar em cinco vezes?
Eliete — Mais que três sem aumento não posso, ou meu lucro é zero.
Nelito — (intervindo, sussurra) Ela chegou!
Ana Paula — (se afastando, antipática) Esses brinquedos não têm nível pros meus filhos não, Eliete. Tudo de quinta!
Efeito com letreiro do nome da personagem: ANA PAULA.
Ana Paula e Nelito abordam Maria Clara. Corina vai se aproximar para ajudar Ana Paula. Eliete vai se relacionar com os meninos, já sem os patins.
Nelito — Olha, Maria Clara, a sua irmã tá querendo conversar mas eu não tenho nada com isso, não pedi nada!
Ana Paula — É sobre o show do Simply Red. Você podia chamar o Nelito pra fazer o DVD, já pensou que repercussão pra firma dele?
Maria Clara — Tá pensando que é assim, Ana Paula? delirou? O contrato pro DVD foi fechado há mais de seis meses!
Ana Paula — E você com certeza nem lembrou do seu cunhado!
Maria Clara — Só ia lembrar se eu fosse vidente, na época o Nelito era dono de um bufê!
Nelito — Tenho certeza que essa firma de vídeo é o grande negócio da minha vida, Maria Clara, uma realização definitiva! Nasci pra isso!
Ana Paula — Só precisa de um empurrãozinho!
Efeito e letreiro com nome do personagem: NELITO.
Maria Clara vai-se afastando, seguida por Corina.
Maria Clara — Outra hora a gente vê se dá preu ajudar em alguma coisa.
Corina — (à parte, pentelhando Clara) Seu cunhado merece, minha filha, cavador, a Ana Paula não deu sorte como você!
Efeito e letreiro com nome da personagem: CORINA.
Close de Maria Clara, não acha que tenha dado sorte. Corta para Eliete com os meninos, que mexem na mercadoria dela, endiabrados. Ana Paula vai chegar.
Eliete — (aos meninos) Pára com isso! Não ensinaram a vocês que não se mexe no que é dos outros?
Ana Paula — (intervindo) Não se fala com criança nesse tom, Eliete, traumatiza!
Corta descontínuo para Eliete e Maria Clara terminando de fazer um lanche, à parte. Iara vai se aproximar.
Eliete — Sua mãe tudo bem, se eu tivesse mãe viva também sustentava, mas irmã com cunhado porra-louca, sobrinhos, todo o mundo nas tuas costas?
Maria Clara — Convidei porque tinha espaço, é provisório! Pro Nelito superar uma crise passageira.
Eliete — Já faz quase dois anos, crise passageira, Maria Clara!? Eu acho incrível, na empresa a todo-poderosa, todo o mundo morrendo de medo, a manda-chuva, com a família maior banana! Por que será que você aguenta isso?
Maria Clara — (dura) Deve ser pelo mesmo motivo que aguento a minha melhor amiga vendendo contrabando na cozinha da minha casa pruma cozinheira que nem precisa de walk-man nem tem condições de pagar. Aguento porque sou burra!
Iara — (intervindo) D. Clara, telefone.
Maria Clara — Quem é?
Iara — Não falou, mas é homem, uma voz bonita!
Maria Clara — Quantas vezes eu tenho que repetir que não atendo se não souber quem/
Eliete — (corta) Não pode ser o Otávio? Vocês não vão hoje à festa da Celebrity?
Maria Clara atende o telefone, um pouco impaciente. Planos alternados com Marcos, no QUARTO POBRE (INTERIOR DIA). O rosto de Marcos deve ser enquadrado de forma bem marcante. Tom sensual e sacana.
Maria Clara — (tel) Alô.
Marcos — (tel) Como é que vai?
Maria Clara — (tel) Quem é que tá falando?
Marcos — (tel) Um grande admirador seu, Maria Clara, seu fã número um. A gente não se conhece pessoalmente, mas garanto que você vai gostar quando me conhecer.
Efeito e letreiro com nome do personagem: MARCOS.
Maria Clara — (tel) Diz logo quem é, brincadeira idiota!
Marcos — (tel) Você vai ver se é brincadeira quando a gente se encontrar. E vai ser muito breve, porque eu tô... morrendo de tesão... você é a mulher mais gostosa que eu já vi...
Close de Maria Clara, tensa.
Corta para:

1º INTERVALO PARA COMERCIAIS

CENA 17. casa maria clara. salas. Interior. Dia. 
Continuação imediata. Clara ao telefone com Marcos.
Marcos — (tel) A gente tem que se conhecer... você vai curtir tanto quanto eu...
Maria Clara — (desligando, irritada) Vai procurar a sua turma, tá me achando com cara de quem não tem o que fazer?
Corta para:

CENA 18. quarto maria clara. ambiente. Interior. Dia. 
Maria Clara com Eliete. Iara trabalhando, afastada.
Eliete — A Iara disse que a voz era de gato.
Maria Clara — Pra você todo homem é gato, Eliete!
Eliete — Conta direito, quê que ele falou?
Maria Clara — Besteira, que eu sou atraente, que tem que me conhecer, coisa de desocupado. (meiga) Olha, desculpa se eu peguei pesado lá embaixo. Não aguento ver você de sacoleira, Eliete, ilegal! Tá indo às aulas do curso de massagem?
Enquanto fala, Maria Clara separa roupa para a festa. 
Eliete — Tô, mas não sei se vai dar certo, não. Já pensou, Maria Clara, logo eu fazendo massagem num gostosão só de toalhinha? esfrega um pouco aqui, esfrega um pouco ali...
Efeito e letreiro com nome da personagem: ELIETE.
Maria Clara — (alto) Iara, você viu meu body branco? (mostra) Igual a esse aqui (mostra outro, de cor), não uso faz tempo, não tô encontrando!
Iara — Lá embaixo eu garanto que não está, já passei a roupa toda, só se foi por engano pro quarto da d. Ana Paula!
Eliete — O Otávio vem te buscar pra festa?
Maria Clara — Vai trabalhar até tarde, ficou de me encontrar lá.
Corta para:

CENA 19. ANDARAÍ. ruas/ botequim. exterior/Interior. Dia/noite. 
Vladimir pára pelada com um bando de crianças, vê Darlene passar, gostosérrima. 
Vladimir — Ôpa, pó parar que eu tô vendo coisa melhor do que bola entrando na área!
Reações decepcionadas dos meninos, gostam de Vladimir. 
Darlene — (em cima) O que você pensa que tá vendo eu não sei mas essa bola aqui não entra em qualquer área não, tá? 
Vladimir — E o quê que eu preciso pra entrar na tua área, coração? Não faz doce! 
Darlene — Te explico já! Aliás, sabe o que eu vou fazer daqui a pouco? Maior lançamento imobiliário.
Vladimir — Descolou bico de quê? 
Darlene — E quem disse que eu/ (corta-se) Divulgadora, tá sabendo? 
Vladimir — Entregar panfleto? 
Darlene — Mas vai tar cheio de gente importante!
Vladimir — Pra comprar apê?
Darlene — Apart-hotel! Beach Ipanema Lagoon Flat!
Vladimir — Mania de falar tudo em inglês!
Darlene — Ih, Vladimir, por isso que... Faz o seguinte, você primeiro fica famosíssimo, depois me procura, tá?
Efeito e letreiro com nome do personagem: VLADIMIR. 
Câmera segue olhar triste de Vladimir, áudio vai para off enquanto chegamos a Cristiano e Zeca no botequim. 
Vladimir — Famoso era o Cristiano, jornalista, e... 
Cristiano e Zeca. 
Zeca — Pai, eu pedi um sanduíche. 
Cristiano — (bêbado) Come, filho, eu penduro. 
Zeca — Pra você, pai, não pode ficar o dia todo sem comer. 
Cristiano — Cê sabe que eu não tenho fome essa hora, só mais uma. 
Zeca — Pára, pai, dá um tempo. Depois você bebe mais, come alguma coisa. 
Cristiano — Já já, daqui a pouquinho...
Efeito e letreiro com nome do personagem: CRISTIANO. 
Descontínuo para os dois, já NOITE, Salvador no balcão com amigo, olhando com pena Cristiano ainda mais bêbado. 
Zeca — Tá anoitecendo, pai. Nós ficamos aqui a tarde quase toda... 
Cristiano — Desculpa, filho, eu... (amargo) não tenho mesmo nada pra fazer. 
Zeca — Não fala assim, você é um grande jornalista!
Efeito e letreiro com nome do personagem: ZECA.
Cristiano — Fui, agora sou é desempregado, aliás despedido hoje pela terceira vez esse ano... E com razão... 
Noêmia entra durante fala seguinte e fica chocada. 
Zeca — (veemente) Razão nenhuma, mandam embora porque não sabem... (carinho) Só precisa não exagerar, se você... se controlar, escrever como você sabe... 
Cristiano — Difícil controlar, Zeca, difícil! 
Zeca — (toca mão do pai) Eu sei, pai...
Noêmia — (sussurra a Salvador) O Cristiano... coitado! 
Salvador — (baixo) Por que você não fala com ele? aposto que vai te ouvir, você é tão... doce, compreensiva... 
Noêmia — Eu?! (tom) Falar com um gênio? Cristiano Reis? Jornalista cheio de prêmios? (espia Cristiano) Olha pra ele, nem vai lembrar quem eu sou...
Efeito e letreiro com nome da personagem: NOÊMIA. 
NA RUA Darlene passa, shortinho brilhante etc., e cruza com Vladimir agora de uniforme de bombeiro. 
Vladimir — É assim que você vai pra lançamento imobiliário?  
Darlene — Coquetel, tá sabendo? Pensa que lançamento de flat de luxo é quermesse? 
Vladimir — Tem certeza que não prefere pegar um cineminha? tá passando o/
Darlene — (corta) E você, fala de mim, vai de farda pro cinema? Pra se rolar incêndio, Vladimir? 
Vladimir — O regulamento permite e eu gosto. 
Darlene — Anda de uniforme e fala do meu short! Bombeiro eu prefiro aqueles sem camisa do calendário, aposto que nem te chamaram! 
Vladimir — Não é a minha, Darlene, pressas coisas sou meio tímido.
Darlene — Não tem ambição! Eu avisei, não deu outra, a galera do calendário tá ficando famosa, você... (“nada”). Mas deixa eu batalhar que depois do coquetel ainda vou pra porta do Espaço Celebrity, pelo menos pra ver a entrada da festa, olhar as roupas... 
Vai em frente. Vladimir decepcionado. 
Corta para:

CENA 20. espaço celebrity. ambiente. Exterior/interior. Noite
Do lado de fora, a turma do sereno vibrando a cada celebridade que entra na festa, uma zorra. Abre em Maria Clara chegando, sozinha. Ovacionada. Reação de Darlene, com Kátia, uma amiga, na turma do sereno.
Darlene — Maria Clara Diniz! Até hoje chamam de Musa do Verão, aquela música foi composta pra ela, quando era garota! Top model exclusiva dos produtos Summer Spell e acabou virando produtora de shows, famosíssima!
Entra uma celebridade real, gritos, aplausos, flashes. Entra Renato Mendes, com mulher linda. Reação de Darlene.
Darlene — Renato Mendes, ah! não! eu vou desmaiar! Tem mais lindo?
Kátia — Não é artista, Darlene.
Darlene — Jornalista, tem uma coluna no Correio Carioca, comenta tudo! E trabalha na Revista Celebrity!
Kátia — Você conhece todo o mundo mesmo, hein!
Darlene — Gente famosa deixa comigo! (reação) Ah! Coroa maravilhoso!
Vem chegando Lineu, com jovem linda.
Kátia — Quem é?
Darlene — Lineu Vasconcelos, dono das revistas todas, Editora Vasconcelos, e um monte de outras coisas que eles chamam de holding, já pensou, menina, chegar perto dum homem desses?
Corta para outro ponto, Jaqueline com a repórter Vitória, que ia chegando. Durante o diálogo chega mais alguma celebridade real, gritos, muitas fotos, ovação. Bruno Carvalho vai chegar com a esposa, Teresa, os dois lindos, muitíssimo bem vestidos. 
Vitória — Encontrou seu tio garçom?
Jaqueline — Trocou de serviço. Falaram preu procurar no lançamento dum CD aí, semana que vem. (vibrando) Ali não é o Bruno Carvalho, o fotógrafo?
Vitória — Veio ao Rio pra fotografar a Maria Clara Diniz, reportagem de capa!
Jaqueline — Que tesão, hein? (tom) Verdade que a mulher dele tá no desvio?
Vitória — Fofoca. Perdeu um contrato de publicidade, modelo do nível dela não vai pro desvio porque perdeu um contrato.
Jaqueline — Chama Teresa, não é?
Vitória — Eu tenho que entrar, Jaqueline, outra hora a gente se vê.
Jaqueline — Péra aí, você tem que me ajudar!
Vitória — Ajudar em quê, menina?
Jaqueline — A vencer na vida, ficar famosa, ser alguém! Vim de Governador Elísio pra ir à luta mas nem meu tio eu encontro!
Vitória — O que é que você sabe fazer? Tem experiência em quê?
Jaqueline — Precisa experiência pra ficar famosa? 
Vitória — Pode ajudar, né? Eu tenho que entrar, meu trabalho.
Jaqueline — Me ajuda, pelo amor de Deus, tanto fotógrafo! O que é que eu faço pra me fotografarem? Eu preciso sair num jornal, numa revista!
Vitória — Sei lá o que você faz, menina? Tira a roupa!
Jaqueline — Isso aqui é que chama Espaço Cultural Celebrity?
Vitória — É.
Jaqueline — Por que que chama espaço cultural?
Vitória — Porque de vez em quando a gente promove exposições, concursos, um monte de coisas. Tem revista que tem ilha, castelo, a Celebrity tem o Espaço Cultural.
Corta para DENTRO, a festa. Na verdade é um grande espaço para festas características de nossos tempos. Muita animação, gente dançando. Num painel, a Galeria da Fama, com fotos atraentes de celebridades. Em locais estratégicos, rapazes e moças dançando, animados, go-go boys e go-go girls. Bar separado para os “VIPS”, onde a música é mais baixa. Planos gerais, a animação da festa, alegria, visual bonito. Entre os convidados, Lineu, Renato, Joel, algumas celebridades verdadeiras, o júri para o concurso. Depois, Otávio, Vitória. Abre em Maria Clara, Bruno e Teresa. Enquanto conversam, uma recepcionista bonita lhes coloca fita vermelha no pulso, para acesso ao bar, a área VIP.
Maria Clara — Fiquei muito contente de você aceitar fazer as fotos comigo.
Bruno — Eu é que adorei a escolha, fotografar você é uma honra, Maria Clara, uma honra e um prazer.
Efeito e letreiro com nome do personagem: BRUNO.
Maria Clara — (a Teresa) Quanto tempo vocês vão ficar no Rio?
Teresa — Depende de uns projetos meus, sigilosos.
Efeito e letreiro com nome da personagem: TERESA.
Corta para Joel com uma celebridade do júri, alguém do mundo esportivo.
Joel — Que bom que você aceitou fazer parte do júri.
Celebridade — Uma revista que sempre me deu a maior força, revista do bem a gente tem mais é que prestigiar.
Corta para Renato com Lineu, à parte.
Lineu — Pra cima de mim não, Renato! Então você é editor da revista, chama pro júri e não pode dar um toque que eu não quero indicação pro cafajeste que me roubou a filha?
Renato — Não pega bem, tio, o júri é que decide, mas você tá levando os boatos a sério demais, acho praticamente impossível o Fernando ganhar algum prêmio. Tantos anos fora do país!
Corta para alguns convidados entrando e outros tentando entrar na área VIP. (Para entrar só com a fitinha vermelha no pulso.) Otávio quer entrar, mostra convite, mas recepcionista homem vê que seu nome não está na lista que tem na mão. Fabiana vai passar.
Otávio — (paciente) Otávio Albuquerque. O nome deve estar na lista, sim. Olha aqui o convite.
Recepcionista — Convite pra festa! Pra área VIP seu nome não tá na lista!
Fabiana — (casual, passando) Pode deixar entrar, Cláudio, é namorado da Maria Clara Diniz, (a Otávio) chega aqui comigo, vem!
Corta para Renato com mulher linda, na área VIP.
Renato — Tenho de ficar até uma hora, uma e pouco mais ou menos. Depois a gente podia ir até lá em casa, relaxar...
Corta para Otávio com Maria Clara. Abre em close da fita vermelha no pulso dele. 
Maria Clara — Absurdo, desorganização, como é que dão uma dessas com você?
Otávio — Deixa pra lá, não esquenta.
Maria Clara — Se não fosse a Fabiana passar você tava barrado!
Vitória — (intervindo) Maria Clara, por favor, faz uma foto aqui com o ...., é membro do júri. (celebridade verdadeira)
Maria Clara — (afastando-se) Um instante só, Otávio, já volto.
Maria Clara cumprimenta a celebridade, enquanto são fotografados algumas vezes. Close de Otávio, disfarçando mal estar.
Corta para:

CENA 21. ap otávio. quarto/ banheiro/ sala. Int. Noite. 
QUARTO. Pouca luz. Otávio e Maria Clara no auge do ato amoroso, respiração ofegante, só closes românticos sem mostrar os corpos, respiração em crescendo até o orgasmo. Aí, passamos para plano geral, Otávio cai para o lado, realizado, relaxado. Faz um carinho nela. Maria Clara com sensação de grande realização, mais um tempo nas carícias leves e delicadas, muito amor.
Maria Clara — (balbucia, feliz) Ah! por quê que eu fui parar de fumar!...
Otávio faz carinho. Tempo. Mais carinho, os dois muito apaixonados. Maria Clara se levanta e entra no banheiro. Tempo com Otávio, pensativo. Finalmente, vai atrás dela. No BANHEIRO, ela toma uma ducha (sem molhar o cabelo), Otávio a olha, quer falar, desiste. Vai para a SALA. Otávio serve-se de uma dose de uísque, toma de um gole só, como quem cria coragem. Maria Clara entra, vinda do banheiro, de robe de toalha. Faz um carinho nele.
Otávio — (meigo) Quer se casar comigo?
Maria Clara — Eu... (emocionada) Você tem certeza?
Otávio — Absoluta. Você é a mulher da minha vida. A mulher com quem eu quero dividir tudo, ter filhos, construir junto.
Maria Clara — Eu... nunca pensei que isso fosse acontecer comigo... eu... quero sim, eu... (está muito feliz)
Otávio — Maria Clara. (tímido) Vende a sua produtora. 
Reação dela, muito surpresa.
Otávio — Eu ganho bem; você, mesmo que não continue de modelo, vai sempre receber os royalties da Summer Spell, larga isso tudo, eu não tô aguentando mais, não é vaidade, te juro, é que... é um saco, festa toda hora, papos chatíssimos, uma gente sem conteúdo... eu queria uma vida de verdade do teu lado...
Maria Clara — Você acha que pra isso eu preciso... vender a produtora?
Otávio — Como empresária você tem de frequentar, viajar toda hora, aparecer...
Maria Clara — (carinhosa) Eu posso dar uma freada, sair menos, não pedir pra você ficar me acompanhando...
Otávio — Acha que eu não ia ficar com ciúme?
Maria Clara — Você tem noção do que tá me pedindo?
Otávio — (carinhoso) Você trabalha desde tão garota, não pode trocar esse circo por uma vida de mulher normal?
Maria Clara — Normal ou pré-histórica? (tom) Como é que você ia se sentir se eu pedisse pra você largar o seu trabalho, “eu ganho bem, Otávio, pára de trabalhar que eu te sustento!”
Otávio — Homem é diferente!
Maria Clara — Em quê? Você acha que mulher não tem necessidade de afirmação profissional? uma carreira? Vou virar dona de casa, viver como viveu a minha avó?
Otávio — (firme) Eu... pensei muito. É a única possibilidade deu ser feliz do teu lado...
Maria Clara — Sem pensar se eu também vou ser feliz?
Otávio — Eu quero dedicar cada minuto da minha vida a você, eu te amo!
Maria Clara — (bem doída) Tá enganado, Otávio, talvez você esteja interessado numa mulher que você fantasia, submissa, dependente... eu não sou essa mulher, não. Eu nunca ia ser feliz se largasse tudo o que eu construí pra satisfazer o egoísmo de um homem.
Corta para:

CENA 22. paris. terraço de hotel. Exterior. Dia. 
Manhã seguinte. Fernando e Beatriz tomam café da manhã. Ao fundo, paisagem bem característica da cidade.
Beatriz — Como é que tão indo as entrevistas pro lançamento do filme?
Fernando — Melhor ainda do que na Itália, sabe? Os franceses têm muito interesse na cultura brasileira, é uma coisa que vem vindo desde “Orfeu Negro”, talvez até antes, o “Cangaceiro”... Depois “O Pagador”, Gláuber, prêmios em Cannes, Berlim... (tom) Foi uma idéia boa fazer esse filme em Recife.
Beatriz — Você... continua firme na decisão de não voltar ao Rio?
Fernando — Não me sinto preparado, por quê?
Beatriz — Já faz tanto tempo... Às vezes eu tenho vontade de ver algumas pessoas, mesmo o meu pai.
Fernando — Você sabe o que ele fez comigo, Beatriz, pensei que tivesse atingido você também. 
Beatriz — Atingiu, mas não dá pra esquecer o lado prático, o papai é dono de um império, Fernando, não é mais nenhuma criança, eu sou a única herdeira...
Fernando — (levanta-se decepcionado) Tenho muita coisa pra fazer, outra hora a gente conversa sobre o... “lado prático”.
Fernando se afasta. Close de Beatriz, entende que pisou na bola.
Corta para:

CENA 23. estúdio fotográfico. ambiente. Interior. Dia. 
Noêmia e Maria Clara separam roupas e adereços que trouxeram para fotos. Bruno entretido com iluminação.
Noêmia — Assim? Só casa se você parar de trabalhar?
Maria Clara — Tentou enfeitar um pouco, Noêmia, mas no fundo é isso mesmo. A gente rompeu.
Noêmia — Não deve ser fácil, viu Clara, prum homem na posição dele ficar de acompanhante, essa gente não se toca mesmo! Deve ser meio humilhante.
Maria Clara — Se quisesse mesmo construir uma vida do meu lado tinha que encarar, respeitar minha individualidade, isso é machismo do mais antigo, eu vou esquecer.
Bruno — (intervindo) Tô pronto, Clara.
Maria Clara — (a Noêmia) Obrigada, Noêmia, vai fazer suas compras que isso aqui com certeza vai demorar.
Corta descontínuo para Maria Clara fazendo várias fotos com Bruno, com esforço porque está triste. Tempo.
Corta para:

CENA 24. rua carioca. ambiente. Exterior. Dia. 
Noêmia entra num táxi, cheia de embrulhos. O táxi dá a partida. Corta para dentro do táxi, agora em movimento, motorista quase atropela Cristiano, que vai passando embriagado, aparência quase de mendigo.
Motorista — Ei, rapaz! Tá maluco!?
Noêmia — Pára aí, moço, eu conheço!
O motorista pára. Corta descontínuo para Noêmia e o motorista tentando ajudar Cristiano a se erguer.
Motorista — Não se machucou, teve foi sorte!
Noêmia — Cristiano... tá me ouvindo? 
Cristiano balbucia alguma coisa, está embriagado demais para reconhecer alguém.
Noêmia — Meu vizinho. O senhor ajuda a pôr no táxi, melhor deixar ele em casa...
Os dois vão fazendo Cristiano entrar no táxi.
Corta para:

CENA 25. Andaraí. porta prédio Cristiano. Ext. Dia. 
Motorista do táxi espera, Noêmia tenta conduzir Cristiano apagado até a portaria do prédio. Motorista se toca:
Motorista — Espera, dona, eu ajudo. 
Apóia Cristiano pelo outro lado, vão para a portaria. 
Motorista — A sra. sabe o apartamento? 
Noêmia — (hesita) Eu... sei. Mas... 
Motorista — Senão a gente não entra. 
Noêmia — Eu... sou vizinha. Mas é que... ele tem um filho, entendeu? Menino! 
Motorista — Entendi o quê?
Noêmia — Se o sr. pudesse... só interfonar, o Zeca atende, e eu... o sr. vai achar esquisito... não queria que nem ele nem o filho... soubessem que eu vi nesse estado, entende? Ele é um homem importante...
Motorista faz que entende, tocado. Vai para o interfone apoiando Cristiano. Fala fora de áudio. Descontínuo. Noêmia escondendo-se dentro do táxi, Zeca agora na porta ampara Cristiano, não vê Noêmia, fala sem entender ao motorista: 
Zeca — Meu pai pagou o sr.?! Mas...
“Com que dinheiro?” Motorista desconversa: 
Motorista — Tá entregue, né? 
Se vira para o táxi, olhar cúmplice a Noêmia sem Zeca ver. Zeca abraça o pai, o conduz para dentro. Noêmia angustiada. Close dela, muito tensa, constrangida.
Corta para:

CENA 26. estacionamento. ambiente. Exterior. Noite. 
No estacionamento próximo ao estúdio fotográfico, Maria Clara vai entrar em seu carro, Bruno despedindo-se dela. 
Maria Clara — Tem certeza que não quer que eu te deixe no apart?
Bruno — Valeu, Maria Clara, mas eu ainda vou trabalhar um pouco.
Maria Clara — Desculpa se eu não tava em forma.
Bruno — Impressão sua, as fotos vão sair ótimas!
Maria Clara beija Bruno, entra e dá a partida, sozinha. Seguimos um pouco com a câmera dentro do carro em movimento. De repente, Maria Clara nota que há uma caixa no banco do carona, estranha. Pára o carro, com cuidado. Abre a caixa, curiosa. Há uma carta e o body branco mencionado em cena anterior. Maria Clara levanta a peça íntima para que o espectador entenda bem o que é, e abre o bilhete, nervosa.
Marcos — (off) “Adorei sentir perto de mim o cheiro do seu corpo. Logo vamos nos conhecer. Seu fã número um.”
Reação de Maria Clara, tensa.
Corta para:

CENA 27. empresa melo diniz. sala m. clara. Int. Dia. 
Manhã seguinte, Maria Clara, Noêmia, Ernesto e Ademar. Focalizar o body, na mão de Ernesto, e o bilhete. 
Ernesto — Tem que dar parte pra polícia, sim. E andar com segurança!
Maria Clara — Acho que vocês tão exagerando.
Noêmia — No mínimo é tarado, Maria Clara!
Ernesto — E conhece alguém dentro da tua casa, senão como é que ia conseguir isso?
Ademar — Sequestro! É sequestro! 
Maria Clara — Donde é que você tirou...
Ademar — Teu nome, fotografia, toda hora no jornal, nego pode pensar que você tem muito mais dinheiro do que tem mesmo, e olha que você já tem bastante! 
Noêmia — Ademar, você quer assustar a gente? 
Maria Clara — Sequestrador costuma avisar?
Ademar — Tem sequestrador e sequestrador, sei lá!
Maria Clara — Dar parte à polícia concordo, mas andar de segurança não tô achando o caso ainda não...
Ernesto — A gente vive num clima de bang-bang, Clara! Você acha que eu tenho porte de arma porque sou louco?
Maria Clara — Sempre fui contra andar armado!
Noêmia — Acho que devíamos contratar segurança, sim, você tá muito em evidência, o show vem pro Rio, você vai sair na capa da Celebrity semana que vem!
Corta rápido para:

CENA 28. Andaraí. banca de jornais. Exterior. Dia. 
Uma semana depois. Darlene, com a revista Celebrity nas mãos, Maria Clara linda na capa, comenta com Olga (secretária de Lineu) e seu Wanderley, o jornaleiro.
Darlene — Maravilhosa! Estrela! Poderosa! E eu lixando unha!
Wanderley — Acompanho a trajetória desde que foi a Musa do Verão!
Olga — Linda!
Wanderley — Sempre teve muito it!
Darlene — Chega, seu Wanderley! Quê que eu faço pra sair do anonimato, meu Deus do céu?
Olga — Tá meio difícil, Darlene, cada dia mais gente querendo!
Wanderley — Não se inscreveu no Big Brother?
Darlene — Todas as vezes, vê lá se me chamam?
Olga — Só se apelar. Aquela que apareceu sem calcinha no camarote do presidente, no carnaval, tá super bem casada!
Wanderley — E casar com bandido? 
Olga — Teve a fogueteira, lembra? jogou rojão no Maracanã...
Darlene — Eu apelo, eu topo tudo, eu faço o que for preciso pra subir na vida, tá me faltando é uma idéia!
Corta para:

CENA 29. empresa melo diniz. ante-sala. Interior. Dia. 
Laura com Zaíra, movimento normal, Ademar vai passar.
Laura — A d. Noêmia falou preu voltar hoje, dia 25, porque talvez fossem marcar/
Zaíra — (corta) Tô sabendo, mas a Maria Clara não aceitou esse evento pra janeiro, não. Você fica em contato que de repente surge alguma outra coisa.
Laura — (muito decepcionada, fraca) Eu... tô perdendo a ilusão, sabe? (recompondo-se) Acho que eu me superestimei. Tava achando que tinha arrasado naqueles testes, é bom pra aprender a não ser metida...
Zaíra — Você é muito nova, menina, vão surgir outras oportunidades!
Laura — Meu sonho era ficar frente a frente com a Maria Clara! Pode parecer pretensão, mas se eu conversasse cinco minutinhos com ela, acho que conseguia provar que eu tenho capacidade pra ser uma boa assistente.
Ademar entrega alguma coisa a Zaíra, Laura presta atenção, discretamente.
Ademar — Prepara a sala pra reunião que a Maria Clara tá chegando, já ligou do carro, não vai atrasar nem um minuto.
Laura mais animada, tenta disfarçar.
Corta rápido para:

CENA 30. garagem do shopping da melo diniz. ambiente. Int. Dia. 
Abre na pesada porta anti-fogo, característica de escadas de serviço, sendo aberta lentamente. Laura entra, abriu com dificuldade. Do seu ponto de vista, vemos que estamos numa garagem com muitos carros, um pouco sombria. Laura está decidida a esperar por Maria Clara. Clima de policial. Corta para Marcos, distante, escondido atrás de uma pilastra. Marcos vê o carro de Maria Clara se aproximando, ela ao volante, ele coloca rapidamente meia de mulher para esconder seu rosto. Carro de Maria Clara se aproxima, entra em sua vaga.
Close de Marcos, escondido. Suspense.
Corta para:

2º INTERVALO PARA COMERCIAIS

CENA 31. garagem shopping da melo diniz. ambiente. Int/ext. Dia. 
Continuação imediata. Maria Clara sai do carro, Marcos mascarado a segura pelas costas, revólver na mão, bem ameaçador. Laura vai surgir diante deles e levar um susto.
Marcos — Fica quieta que eu não vou te fazer mal, muito pelo contrário, gostosa.
Laura — (grita) Larga ela! Vão te pegar!
Maria Clara — (a Laura, com medo) Pára com isso, garota, ele tá armado!
Laura —  Me leva no lugar dela! (grita mais) Socorro! Socorro!
Marcos dá uma porrada em Laura, que cai no chão. Carro de Ernesto já se aproximou, vinha chegando, Ernesto ouviu os gritos, sai do carro, revólver na mão.
Ernesto — (de longe, a Marcos) Larga essa arma ou eu vou atirar!
Marcos atira em Ernesto. Ernesto atira em Marcos. Figurantes chegando, entre eles Ademar, clima de tumulto em crescendo. Marcos empurra Clara para o volante: 
Marcos — Entra aí, se adianta, se me acertarem te apago!
Ernesto entra no carro para perseguir o carro de Maria Clara, esta faz manobra rápida, ameaçada por Marcos, sempre apontando arma para ela. Ademar entra rapidamente no carro de Ernesto, que persegue dando tiros.
Marcos — Se manda!
Maria Clara vai saindo da garagem, o carro perseguido pelo de Ernesto, este atirando. Noêmia chega. 
Ernesto — (dentro do carro, a Ademar) Liga pra polícia! Depressa!
Ademar pega celular. Noêmia socorre Laura, no chão.
Noêmia — Você tá ferida? Quê que aconteceu?!
Corta para LADO DE FORA, RUA, carro de Maria Clara saindo, perseguido pelo carro de Ernesto. Tiros de Ernesto.
Ademar — Pára de atirar! Pode ferir a Maria Clara!
Corta para:

CENA 32. ruas cariocas. ambiente. Exterior. Dia. 
Perseguição, carro de Clara com Marcos abaixado no banco do carona (sem estar agachado no chão), máscara, revólver apontado para ela. Carro de Ernesto, com Ademar, atrás, ritmo acelerado. 
Marcos — (medo, entrecortado) Puta que..., que roubada! como é que eu fui...
Clara dobrou esquina cantando pneu, Ernesto um segundo depois. Muito clima. Descontínuo para OUTRA RUA, os dois carros e agora carro de polícia colado ao de Ernesto, sirene. Maria Clara atenta a Marcos: 
Maria Clara — O que você quer... é fugir, não é?
Marcos — É...
Clara freia de repente, surpreendente cavalo de pau, retorna na contramão entre o carro de Ernesto e o da polícia, dobra esquina. 
Marcos — Você é mais louca do que eu!
Maria Clara — Aproveita agora, se manda! 
Marcos abre a porta. Carro de Ernesto e logo atrás polícia dobram também, crescem no quadro, policiais atiram. Marcos volta para dentro, ameaça com revólver.
Marcos — Se manda, vai!
Clara arranca, disparada. 
Corta para:

CENA 33. piscina de clube. ambiente. Exterior. Dia. 
Coquetel de lançamento de CD na piscina de um clube à beira mar. Darlene no time das recepcionistas. Nelito, seu camera-man e assistente Kléber, Ana Paula e Corina entre os convidados. Carlos Flores, o procurador da república, cantando, muito animado, num palco, canção alegre da jovem guarda. Oito meninas fazem coreografia, quatro de cada lado. Abre em Joel, com Ivan.
Ivan — Pra procurador até que ele tem bastante voz! Mas você acha que ele tá em idade de começar carreira? 
Joel — Hoje em dia todo o mundo canta! Quero ver comprarem!
Corta para Jaqueline, gostosíssima, de tomara que caia, interrogando um garçom, recanto discreto. Ivan tira fotos. Joel não cruza com Darlene nem Jaqueline.
Jaqueline     — Meu tio chama Vítor, uns 60 anos, um pouco gordo, a última vez que eu vi tava ficando careca, é a única pessoa que eu conheço no Rio de Janeiro!
Corta para Darlene, com outra recepcionista.
Darlene — Ih, meu Deus do céu, o Kléber, lá do bairro, trabalha com o cunhado da Maria Clara Diniz numa firma sei lá de quê, eu falei no salão que ia visitar a avozinha de uma amiga que tava morrendo pra fazer esse frila, já pensou se o seu Salvador descobre? (se esconde) O que uma garota tem que batalhar pra vencer na vida! (tom) Simone, aquele ali não é assistente do procurador-cantor?
Corta para este assistente sendo assediado por Nelito e seu auxiliar, Kléber.
Nelito — Nós podemos combinar um precinho camarada, o procurador vai ficar satisfeito, nunca pensei que tivesse essa voz de barítono! Minha firma faz um vídeo que só vocês vendo, coisa de primeiro mundo! Eu apresento e faço entrevista com os convidados.
Kléber — (admira Nelito) Melhor recordação não tem!
Corta para Ana Paula com Corina.
Corina — Você está vendo imprensa?
Ana Paula — Pouquíssima. Aquele fotógrafo ali é um pé de chinelo dum lambe-lambe que tira retrato pra vender presses buzuntas, recordação, tem coisa mais pobre? Eu perdendo tempo com meu ... (nome de costureiro) novinho! Amanhã repito num lugar de nível e vai que alguém repara!
Corina — Acho que o seu marido está perdendo tempo, esse procurador é segundo time.
Ana Paula — Você viu que logo ali é a casa do Roberto Santana? que vai dar a festa amanhã, pro(a) ... (celebridade real)? 
Corina — Ouvi dizer que vai ser a festa do ano! Queima de fogos como só no réveillon! Todas as revistas vão cobrir!
Ana Paula — A Maria Clara é amicíssima desse Roberto, só não nos arruma convite pra festa se não quiser!
Corta para:

CENA 34. hospital. emergência. Interior. Dia. 
Televisão ligada, movimentação de figurantes. Laura com Noêmia, vai ser atendida.
Laura — Eu tô bem, Noêmia, juro. Não precisava ter vindo pra hospital nenhum!
Noêmia — Tem que ser examinada, sim senhora!
Laura — Eu quero é rezar pra não acontecer nada com ela, meu Deus do céu!
Noêmia — Olha aí, tá dando na televisão! (a uma enfermeira) Dá pra aumentar um pouquinho o volume?
As duas olham a tevê, focalizamos a tela, noticiário.
Locutor — “Foi sequestrada agora há pouco a empresária Maria Clara Diniz. Numa ação ousada o sequestrador invadiu a garagem do escritório da conhecida empresária, rendeu Maria Clara e a levou no próprio carro da vítima. Chamada, a polícia persegue neste momento o bandido...”
Corta para:

CENA 35. rua carioca. ambiente. Exterior. Dia. 
Perseguição. Carro de Maria Clara sendo perseguido por dois carros de polícia e o carro de Ernesto. Suspense, ação. Maria Clara vira uma esquina. Um caminhão enorme sai de uma garagem, bloqueando por um instante a rua. Reação de Ernesto, buzina.
Corta para:

CENA 36. casa à beira mar. cercanias. ambiente. Exterior. Dia. 
Abre dentro do carro de Maria Clara correndo, sempre ameaçada por Marcos mascarado. E desesperado. 
Marcos — Eles vão me pegar, eu nunca...
Maria Clara — Fica calmo! (atenta) Você nunca... sequestrou ninguém, não é? Abaixa o revólver, acaba disparando, eu bato e morrem os dois! (tom) Depois dessa esquina, se eu tiver um minuto... 
Viram a esquina. Maria Clara vai mais devagar.
Maria Clara — Essa casa aqui é de um amigo meu que vai dar uma festa amanhã, os empregados me conhecem, eu vou entrar... Tem vários barcos, você foge de barco...
Maria Clara pára o carro, de forma que possa se anunciar pelo interfone sem deixar o volante. Marcos agachado, sempre ameaçando com a arma.
Maria Clara — Maria Clara Diniz. (a Marcos) Se abaixa direito que tem câmera!
O portão eletrônico se abre. Carro entra, o portão se fecha. Logo em seguida, carro de Ernesto e dois carros da polícia dobram a esquina. Ernesto pára o carro em frente à casa. Carro de polícia também se aproximando.
Ernesto — Deixa eu perguntar se ela não entrou aqui, casa do Roberto, amigo dela...
Corta para:

CENA 37. casa à beira-mar. ambiente. Exterior. Dia/ noite. 
DENTRO DA CASA. Clara pára carro perto da GARAGEM DE BARCOS. Clara e Marcos saltam tensos, ele sempre de máscara, arma apontada. Fogos de artifício preparados em vários pontos para festa do dia seguinte. Corta para Clara e Marcos já dentro da GARAGEM, onde também há fogos. Pequeno barco a gasolina ali. Equipamento de mergulho no barco, inclusive respirador. 
Maria Clara — (aponta) Aquele você dirige sozinho. 
Marcos — Se sair empurrando esse barco os empregados vão ver!
Clara pensando. Tensão. Corta para LADO DE FORA, Ernesto já conclui diante de Ademar, alguns policiais, um empregado da casa: 
Ernesto — O empregado disse que a Clara entrou com o carro sozinha. 
Ademar — Sozinha o...! (cacete). O cara devia tar...
Ernesto — Abaixado, também saquei, Ademar. Não dá pra entrar assim, acho que vai ter que cercar a casa. 
Ademar — (tecla celular) Vou avisar o Otávio, prometi, ele tá querendo vir...
Descontínuo para FORA DA CASA. Carro de polícia chega junto com carro de TV, repórter de TV se coloca. Imediatamente chegam carro da Celebrity, com Joel, repórter Vitória, paparazzo Ivan de moto, Zaíra da Melo Diniz, curiosos, mais jornalistas, mais policiais. Clima de tumulto, circo, cacofonia. Muita tensão. Vitória com policial: 
Vitória — Já tão cercando? E se ele reagir? 
Na reação tensa corta para Joel com empregado à parte: 
Joel — Deve ter um jeito deu entrar...
Rápido para Ivan com outro empregado: 
Ivan — Só preciso de ângulo pruma foto! 
Corta rápido para 2 ou 3 carros chegando do lançamento do CD. De um saltam Corina, Ana Paula, Kléber, Nelito fala ao motorista que deu carona, dá cartão: 
Nelito — Quando quiser, nossa firma.
De outro saltam Darlene e Jaqueline trazidas por dois rapazes atléticos, bonitos. Darlene prendeu a saia com alfinete muito acima do joelho, recortou ou amarrou a blusa do uniforme de recepcionista, sussurra: 
Darlene — Diz a verdade, parece uniforme? 
Jaqueline — Só se for de cabaré... 
Darlene — (feliz) Então vamos, a gente tem de driblar esses dois, bonitos mas pés de chinelo! já me informei, que sorte o lançamento ser tão perto daqui! Tem imprensa mesmo, olha só! 
Jaqueline — Minha chance, só bacana, vê a casa! 
Corta para Ana Paula e Nelito.
Ana Paula — O lançamento do CD já era, veio todo mundo pra cá. 
Nelito — Tua irmã, Ana! 
Ana Paula — A festa tava meia bomba mesmo.
Nelito — Sequestrada, Ana Paula!
Ana Paula — A Maria Clara se cair cai de pé, desde criança que é assim!
Corta descontínuo para Corina dramática, sem humor, dando declaração a repórter de TV e câmera:
Corina — Eu imploro, se esse homem estiver vendo a televisão, pelo amor de Deus! solta a minha filha, eu falo com a polícia, não vão atirar, é minha filha! 
Corta para policiais agachados chegando à GARAGEM. Tiro lá de dentro, policiais se escondem, fogem, reações gerais, tensão sobe, medo. Corta para GARAGEM, Clara já fala muito tensa a Marcos de arma ainda apontada, também muito tenso: 
Maria Clara — Ficou louco, quer matar a gente?! 
Marcos — (medo) Vivo não me pegam! 
Maria Clara — Calma, pomba! (tenta ser calma) Tá pra anoitecer, no escuro você foge no barco sem ninguém ver! 
Reação de Marcos. Descontínuo. JARDINS. Circo ainda maior, mesmos de antes e muitos mais jornalistas, policiais, curiosos. Otávio chegou, está com policiais, Ademar, Otávio fala em megafone. 
Otávio — (megafone, firme, emocionado) Aqui é Otávio Albuquerque, estou falando ao homem que sequestrou minha namorada, Maria Clara, minha... noiva. 
ALTERNA com reações de Clara e Marcos na GARAGEM. 
Otávio — Não vou fazer ameaças. Mas você está cercado. Não tem como escapar. Se libertar minha noiva lhe dou minha palavra de honra que asseguro pessoalmente sua integridade física... 
Emoção. Corta para Ademar perplexo diante de Darlene. 
Darlene — Pois é, pai, também tô aqui, mas você, veio fazer o quê?
Ademar — Não vem com história, Darlene, primeiro que não tenho que dar satisfação, o pai sou eu, a filha é você, depois que a Maria Clara é minha chefe!  
Darlene — Justamente! (se inspira) Sua chefe e da Noêmia, nossa vizinha, pai, vim com ela, avisaram o Vladimir? tão amigo! 
Ademar — A Noêmia estava na empresa! E que roupa é essa? 
Darlene — (rápida) Recepcionista. (foge) A Noêmia tá aflita! 
Noêmia e Eliete, que também chegou, aflitas. Ritmo. 
Noêmia — Pior que tem muito pouca gente aqui preocupada mesmo com a Maria Clara. 
Eliete — Só nós e mais uns três, o que tem é muita galera querendo ver pra depois contar como é sequestro de famoso.
Ana Paula — (chega) Noêmia, bom que você chegou, sabe se com essa confusão a Clara lembrou dos pagamentos todos? Só a conta de luz lá de casa, com tanto ar condicionado! Imagina se acontece alguma coisa, ela nunca aceitou a idéia de ter conta conjunta comigo! (tom) Vai anoitecer, pode esfriar, você viu se a Clara tava agasalhada? 
Eliete — (a Noêmia) Só nós duas mesmo...
Jaqueline grita a câm. e repórter de TV se afastando: 
Jaqueline — Volta aqui, nem comecei a entrevista, eu conheço a Maria Clara! 
Joel — (chega) Revista Celebrity, então você conhece bem a Maria Clara?
Jaqueline animada. Corta para Vladimir tenso chegando com outros bombeiros, já fala a policiais, imprensa: 
Vladimir — Nós somos treinados pra esse tipo de situação, resgate, podemos ajudar... 
Joel e Jaqueline: 
Joel — Peraí, você não disse que conhecia? 
Jaqueline — E conheço, li todas as reportagens que/
Joel guarda bloco, suspira, vai saindo. Jaqueline desesperada faz a blusa cair. Joel já indo longe. 
Jaqueline — Olha só o que aconteceu por sua culpa! (grita, quer ser fotografada, mostra-se, seios de fora, rodando em torno de si mesma) Cheio de fotógrafo!  
Ademar — (chega) Bota essa blusa, menina, vai pegar um resfriado!  
Jaqueline decepcionada, ninguém liga. Descontínuo. NOITE, circo ainda maior. Nelito tenta entrevistar Noêmia, Kléber opera câmera. Darlene se aproxima.  
Nelito — Este é o clima em que estamos vivendo, meus senhores, uma total falta de segurança, Maria Clara Diniz, cidadã exemplar, cumpridora de seus deveres... Esta aqui é a sua secretária pessoal, d. Noêmia. Vamos ouvir o acurado depoimento de d. Noêmia, ela/
Noêmia — (corta) Pára com isso, Nelito, quer me deixar mais nervosa ainda do que eu já tô?
Nelito — Uma ajudinha, d. Noêmia, esse pode ser o vídeo da minha vida!
Kléber — Nós somos especialistas!
Noêmia já está longe. 
Darlene — Eu dou entrevista, minha roupa tá boa? Tá passando onde? 
Nelito — Produção independente. (gosta) Sua roupa tá ótima. Entrevista sobre quê?
Kléber já gravando o depoimento.
Darlene — (à câmera) Eu quero que a Maria Clara saiba que eu estou aqui, torcendo por ela! Meu nome é Darlene Sampaio, eu sou modelo e atriz, estou estudando propostas, meu telefone pra contato é/
Nelito — (corta) Outra hora, minha filha, o sentido do meu vídeo não é bem esse...
Ana Paula com Noêmia e Eliete, estas chocadas. Motorista da Vasconcelos, Xavier, por ali. 
Ana Paula — Será que vai ter a festa amanhã? Tão bonita, a casa!
Noêmia — Ana Paula, como é que você.../
Eliete — Nós tamos aflitas com a Clara! 
Ana Paula — Parece que tá tudo pronto, tinham comprado os fogos... 
Xavier preparou uma tocha, joga para a GARAGEM.
Xavier — Agora o vagabundo tem que sair, não pode dar colher pra esses bandidos! 
Um rojão e logo outro explodem, disparados pelo fogo. 
Noêmia — Meu Deus, quê que esse louco fez?! 
Eliete — Vai pegar fogo! 
Reações. Muita tensão. Rápido para GARAGEM. Muita fumaça. Maria Clara, fraca, sufoca. Marcos em pânico. 
Maria Clara — Ali... 
Detalhe de chamas invadindo. Maria Clara desmaia. 
Marcos — Maria Clara! Quê que.../ 
Vê que ela desmaiou. Hesita um instante, arranca a máscara de meia, vemos seu rosto claramente. Vai para o barco, empurra pelo trilho para a água. Respirador ali, nítido mas ainda sem detalhar. FORA: um bombeiro se aproxima, tenta entrar, vê Clara desmaiada na GARAGEM. Marcos vê, atira, bombeiro foge. Marcos pula no barco. FORA/MAR. Marcos foge de barco. Policiais não conseguem alcançá-lo. Correria, tumulto. Vladimir com bombeiro de antes:
Vladimir — Desmaiada lá dentro? 
GARAGEM em chamas. Vladimir pega mangueira, se protege (ou o que a direção de arte indicar), foge dos colegas que tentam detê-lo, vai para a GARAGEM.
Ernesto — Cuidado, Vladimir!
Ademar — Não tem chance!
Otávio corre atrás, bombeiros o detêm. MAR. Barco foge. De repente, EXPLOSÃO, fogo no barco. Fortes reações gerais. Alguém aparece com OUTRO BARCO, policiais correm para lá, Ernesto atrás, Ademar olha o barco em chamas: 
Ademar — Ih... Dançou! 
GARAGEM. Vladimir heróico consegue chegar a Clara no meio das chamas, talvez use corda, protege-a com manta, toalha ou o que for, começa a retirá-la ainda desmaiada da GARAGEM. Descontínuo. Ernesto com Ademar, vemos que veio de junto dos policiais que voltaram do MAR:
Ernesto — Não tão achando o corpo, pode ter sido projetado no mar pela explosão e nunca encontrarem. 
Ademar — Virou picadinho... 
Ernesto não ouve, viu Jaqueline, desiludida mas sensual. Interessa-se, mulherengo. MAR. Por baixo d’água Marcos escapa com o respirador que apareceu antes. Suspense. Corta para Ernesto com atração por Jaqueline, já em meio de conversa: 
Jaqueline — (desprotegida) E não conheço ninguém no Rio...
Ernesto — (protetor) Agora conhece... Relaxa, menina... 
Corta para Clara desmaiada, bem marcante, sendo levada de maca para ambulância, Otávio balbucia, segurando sua mão, desesperado: 
Otávio     — Meu amor, meu amor... 
Corta para: 

CENA 38. hospital. quarto m. clara. Int. noite/ Dia. 
Maria Clara entrando com enfermeiros, depois de um exame, é colocada na cama. No quarto, Corina, Ana Paula, Otávio.
Ana Paula — A tomografia não deu nada, graças a Deus.
Corina — Mas tem que ficar 24 horas em observação. (pega a mão de Maria Clara, com amor) Tá me ouvindo, minha filhinha?
Maria Clara — (natural) Eu tô bem... Garanto que tô bem... 
Ana Paula — Você ia ajudar esse sequestrador a fugir?
Maria Clara —  Preferia que ele me matasse?
Tempo.
Otávio — Vocês... se importam se eu ficar um pouco só com ela?
Corina e Ana Paula vão saindo. Otávio se aproxima, com muito amor. Maria Clara o olha, sem sorrir.
Otávio — Eu... tive muito medo de perder você. Você... tá sentindo dor?
Maria Clara — Não... E não tem necessidade de você ficar aqui, Otávio, eu tô muito bem, a minha mãe e a minha irmã/
Otávio — (corta, muito sincero, apaixonado) Por favor, Clara, deixa eu falar. Você não imagina o que eu senti, eu... fui muito egoísta. Machista, retrógrado, imbecil, egoísta e burro, tudo o que você captou, eu não podia ter te feito aquela proposta! Você é uma mulher excepcional, eu sou louco por você, não posso imaginar a vida sem ser do seu lado! Casa comigo, por favor, sem condições, eu tô pouco ligando se vão me chamar de Marido da Maria Clara Diniz, podem me chamar do que quiserem, claro que o seu trabalho é importante, nós vamos encontrar um equilíbrio... por favor... casa comigo, eu te amo muito!
Maria Clara sorri, apaixonada. Corta descontínuo para manhã seguinte, Clara com Noêmia, cama do acompanhante desfeita, durante a conversa delas um plano de Otávio no banheiro, fazendo a barba, aliviado.
Maria Clara — (feliz) Aceitei.
Noêmia — Se você soubesse como essa notícia me deixa feliz, Clara!
Maria Clara — Eu sabia que você ia gostar.
Noêmia — Só queria te pedir uma coisa...
Maria Clara — O quê?
Noêmia — A garota tão corajosa, a Laura, se arriscou pra pedir socorro...
Maria Clara — Eu tô sabendo.
Noêmia — Ela tá aqui nesse andar, no quarto 22, também passou a noite em observação, não teve nenhum problema grave, o médico acabou de dar alta, eu acho que você devia agradecer...
Maria Clara já começou a vestir um robe de chambre.
Corta para:

CENA 39. hospital. quarto de laura. Interior. Dia. 
Maria Clara diante de Laura.
Laura — (emocionada) Agradecer o quê? Eu sou uma doida. Só diante duma coisa grave assim eu tô sacando o quanto eu tenho dado importância pra coisas que/ (tom) Eu tava esperando na garagem pra importunar você com pedido, encher a sua paciência, eu tenho mais é que pedir desculpas, tenho sido inconveniente, pergunta pra Noêmia, fui tão maluca quanto esse sequestrador que morreu, porque pelo que me contaram eu... acho que ele também era um fã...
Maria Clara — Como assim... também?
Laura — (com pudor) É que eu... há muito tempo... eu coleciono tudo o que sai sobre você no jornal... eu tenho uma admiração tão grande por você que... eu meti essa loucura na cabeça, entende, que tinha capacidade pra trabalhar de assistente na produtora, tive a presunção de achar que/
Maria Clara — (corta) Mas claro que você vai trabalhar na produtora!
Laura — Você... tá falando sério?
Maria Clara — Laura, você arriscou a sua vida por mim! Quem não ia querer trabalhar com alguém capaz de uma coisa dessas?
Laura — (emocionadíssima) Eu... eu nem sei o que dizer... eu... (lágrimas nos olhos) eu não tô acreditando... Esse é o dia mais feliz da minha vida...
Close de Laura, olhos cheios d’água.
Corta para:

CENA 40. quarto pobre. ambiente. Interior. Noite. 
Discussão violenta entre Laura e Marcos, só agora Laura revela o tipo de pessoa que é. Muito ritmo.
Marcos — Burrada como?
Laura — Burrada! Total!
Marcos — Que diabo você queria que eu fizesse?
Laura — Tudo planejado, cada gesto!
Marcos — E eu lá podia imaginar?
Laura — (sem ouvir) O trabalhão que eu tive! Te treinei! Um tempão estudando tudo!
Marcos — Podia imaginar que ia surgir o cara de arma na mão?
Laura — Quase desencadeou uma guerra civil!
Marcos — Ia fazer o quê, Laura?
Laura — E a porrada na minha cara podia ser mais forte, se ficasse uma marquinha toda hora que ela olhasse ia lembrar!
Marcos — Como é que eu ia calcular força de porrada naquela hora?
Laura — E se ela reconhecer você? O tempão que ficaram juntos!
Marcos — Não tirei a meia da cara nem um instante!
Laura — O combinado era imobilizar a mulher, eu fazia a minha cena de fã corajosa, ganhava a confiança dela, você fugia e ponto final!
Marcos — Você não viu o desgraçado chegar atirando, pô?
Laura — Não sabe manter o sangue frio!
Marcos — Devia tar me dando parabéns!
Laura — Sem sangue frio como é que a gente vai continuar o plano, Marcos?
Marcos — Você já não tá contratada? Não tão pensando que o sequestrador morreu na explosão?
Laura — Deve tar havendo perícia, podem sacar que você escapou...
Marcos se aproxima, com tesão. Carinho físico.
Marcos — Precisa ser tão jogo duro?
Laura — (com tesão) Não faz assim...
Marcos — Vamos fazer tudo o que a gente combinou, Laura... vai dar certo... (beijando) vem...
Laura e Marcos começam a fazer amor, muita atração.
Corta para:

CENA 41. empresa melo diniz. ante-sala/ sala maria clara. Interior. Dia. 
Manhã seguinte, algum movimento na ANTE-SALA. Interessam-nos Zaíra e Ademar.
Zaíra — (vibrando) Acertaram mesmo casamento? Você tem certeza?
Ademar — Absoluta. No papel! Você vê do que um sequestro é capaz.
Zaíra — Vira essa boca pra lá! 
Ademar — Modo de falar, bom não foi. Mas que a madrinha devia ser essa menina que praticamente salvou a vida da Maria Clara... aliás já tá trabalhando na Melo Diniz, sabia? Era o mínimo, né? sei lá, ou é doida ou muito corajosa!
Corta para SALA DE MARIA CLARA. Laura, “modesta”, “tímida”, serve champanhe para Noêmia e Maria Clara.
Laura — Eu... também soube. E tomei a liberdade de... Acho que a ocasião merece um brinde, não é? Casamento...
Noêmia — (servindo-se) Obrigada.
Maria Clara — E você, Laura? Não vai brindar com a gente?
Laura — (modesta) Eu?
Maria Clara já está terminando de servir taça de Laura. Entrega. (Em algum momento, um efeito visual, sem que fique pesado. Numa das fotos da parede onde Maria Clara está com uma celebridade, Laura sem querer fica numa posição em que parece que quem está na foto é ela, tomou o lugar da outra.)
Maria Clara — Por favor.
Noêmia — (feliz) Ao casamento! Ao amor!
Laura — (enchendo-se de coragem) À felicidade... de Maria Clara Diniz. (cria coragem e finalmente encara, olha nos olhos) Você vai ter tudo o que sempre mereceu.
Corta.

FIM




Celebridade Capítulo 1 Pag.: PAGE 5  

Rede Globo de Televisão 
Central Globo de Produção Capítulo 1


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