Portado por : Felipe Marques sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Novela é um dos maiores investimentos das emissoras de TV. Por isso, quando uma obra não vai bem de audiência, um alerta vermelho começa a soar, propagando-se dos altos escalões até a equipe técnica. Baixa audiência significa a perda de bilhões e para estancar esse prejuízo, vale tudo. Substituir autores, matar personagens, mudar o enredo, criar uma nova abertura, saturar a programação de chamadas. Mas, e quando nada disso funciona? O que se deve fazer? Cortar os pulsos ou admitir o fracasso, tirando a novela do ar antes do previsto e apostando numa nova produção?

1 - Cortina de Vidro (1989)

Silvio Santos apostou um alto investimento em “Cortina de Vidro”, construindo uma central de produção com oito estúdios especialmente para a novela. E tudo isso foi consumido pelas chamas devido a uma briga entre a empresa dona do edifício e o SBT. O prédio foi comprado pelo Banco Luso-Brasileiro, que solicitou o espaço para instalar-se e descobriu-se, então, que não havia nenhum contrato que garantisse o direito dos produtores continuarem a usar a locação. O autor Walcyr Carrasco então teve de botar fogo no prédio para justificar a mudança de cenário, e aproveitou a ocasião para matar boa parte do elenco e reformular a trama, que já não ia bem de audiência. Exatamente pela baixa repercussão, parte do elenco de "Cortina de Vidro" resolveu sair da novela por conta própria. Liza Vieira, Betty Goffman, Aldine Müller, Cláudio Cury e Odilon Wagner foram uns dos que abandonaram o barco antes do final. Jayme Periard também não renovou o contrato durante a gravação da novela e justificou no jornal O Dia: "É muito difícil para um ator levar uma novela que não é sucesso".

2 - Amazônia (1991)

Considerada um dos maiores fiascos de audiência da história da TV e uma das piores novelas já exibidas, "Amazônia" teve de grandiosa apenas a rejeição do público. Acreditando que atrairiam o público do mega sucesso “Pantanal” (1990), erraram feio ao criar uma novela que se passava em duas épocas, no futuro e no passado, com uma história complicada, que não convencia. Os figurinos eram grotescos, os diálogos eram fracos e o enredo não se desenvolvia, pois os personagens ao invés de se entrelaçarem formando uma trama, se afastavam a cada capítulo. Resultado: a Manchete decidiu acabar com a trama futurista, matando 90 por cento do elenco e focar apenas no passado. A personagem de Cristiana Oliveira, que era uma videomaker no futuro, entra no elenco do passado como uma cortesã e tem início uma nova história, desta vez dirigida por Tizuka Yamazaki. A reconstituição de época era primorosa, mostrando o luxo da corte, as dificuldades dos seringueiros, a libertinagem dos bordéis. Mas nada disso salvou "Amazônia - Parte 2". Chegaram a cogitar a escalação de Angélica para integrar o elenco, mas acabou não rolando. E acredito que não faria muita diferença, uma vez que a má reputação já havia se formado.

3 - Olho no Olho (1993)

Eu confesso que amava essa novela, mas, ao rever alguns capítulos avulsos, admito que era muito ruim. A premissa era ótima: dois adolescentes com poderes paranormais duelando e soltando raios dos olhos. Aleph (Felipe Folgosi), que era do bem, soltava raios azuis e Fred (Nico Puig), que era do mal, soltava raios vermelhos. Mais tarde descobria-se que a namorada de Aleph, Cacau (Patrícia de Sabrit) também era paranormal e estava instalado o cenário para qualquer fã de quadrinhos. Porém, se a novela era um prato cheio para os adolescentes, era uma bizarrice para os adultos. Mudanças foram feitas para fisgar o público, mas a novela terminou como um ícone trash. Em comparação com a audiência de outras novelas mencionadas aqui, até que teve um desempenho razoável, mas para os padrões Globo nos anos 90, foi um fiasco. Mesmo assim eu daria tudo para vê-la de novo.



4 - Serras Azuis (1998)

Tentativa da Bandeirantes de reativar seu departamento de teledramaturgia, “Serras Azuis” foi a primeira novela em 15 anos desde “Maçã do Amor”, de 1983 — “A Idade da Loba”, “O Campeão” e “Perdidos de Amor” foram produções independentes. Era uma história nos moldes de Romeu e Julieta, adaptada de obras do escritor Geraldo França de Lima, ambientada no interior de Minas Gerais, onde haviam disputas políticas, comadres fofoqueiras, amores proibidos e um toque folclórico, que davam um clima mágico à trama. Mas as duras críticas refletiram na audiência. O casal sem liga formado por Petrônio Gontijo e a apática Adriana Londoño não convencia, a trama era fraca, cheia de clichês e lances previsíveis. E como a autora Ana Maria Moretzohn não tinha jogo de cintura para tentar reformular a história, a própria direção fazia alterações no enredo, sem consultá-la, numa tentativa de salvar a novela. Porém, todo o esforço foi em vão. "Serras Azuis" foi um fracasso tão grande que é praticamente ignorada pelo fãs de dramaturgia.

5 - Brida (1998)

Com “Brida” a Rede Manchete conseguiu o impensável: associar uma obra de Paulo Coelho ao fracasso. Apesar da instigante premissa da sinopse, "Brida" não agradou ao público, pois a produção era muito tosca, uma fotografia horrível, que mais parecia feita por câmeras amadoras, uma abordagem desajeitada do enredo e personagens sem carisma. Em poucos dias, a novela caiu para 2 pontos de audiência (cerca de 90 mil residências em SP) e numa tentativa desesperada de atrair anunciantes, a emissora prometeu que caso a novela não alcançasse o mínimo de 5 pontos, o anúncio seria exibido de graça. Prejudicada por seus problemas com o Banco do Brasil, viu seus intervalos preenchidos pelo prejuízo. Tês eram os fatores: primeiro, o anunciante que apostou em "Brida" levou de graça; segundo, o Banco do Brasil exibia seus comerciais "gratuitamente" para descontar as dívidas da emissora; e terceiro, os espaços eram vendidos antecipadamente e o dinheiro recebido era gasto antes de sua veiculação — em alguns casos, o espaço entre o recebimento do dinheiro e a exibição era de meses. Ou seja, a TV não tinha recursos em caixa. Resultado: a novela foi cancelada, as gravações interrompidas de imediato e para não encerrar sem um desfecho, o final foi lido pelo locutor da emissora enquanto passava uma edição de cenas antigas da trama.
6 - Metamorphoses (2004)

Após pequenas férias longe da produção de novelas, a Record retornou a investir no produto em 2004 e trouxe a ousada “Metamorphoses”. Ousada até demais. A história se focava numa clínica de cirurgia plástica administrada por duas irmãs que eram perseguidas pela máfia japonesa. Mesmo estreando num domingo (ou talvez por causa disso), conquistou boa audiência, marcando 11 pontos. Porém, a segunda feira-trouxe a novela pra a realidade e os números despencaram. A média geral foi de 3 pontos. A trama era tão vergonhosamente ruim que o autor que a assumiu após os escritores originais se afastarem por divergências com a produtora, usava um pseudônimo, Charlotte K. Será que esse Charlote K não está entre os autores de "Babilônia"?



7 - Bela, a Feia (2009)

“Bela, a Feia” prometia ser um sucesso, já que suas versões em outros países sempre caíram nas graças do público. No entanto, foi exatamente sua fama internacional que condenou a versão da Record. Isso porque, aqui no Brasil, foi apresentada a versão colombiana pela RedeTV! e a mexicana “A Feia Mais Bela" pelo SBT, além do seriado americano "Ugly Betty", que muita gente acompanhou. Mesmo sendo uma produção inédita no Brasil, o público ficou saturado de tanta feiura. A história já estava muito batida. Por isso, a novela começou com 10 pontos e foi caindo até marcar 5.

8 - Vende-se um Véu de Noiva (2009)

Não é incomum remakes de Janete Clair se tornarem grandes decepções, mas no caso de "Vende-se um Véu de Noiva" o caso foi quase que perda total. Escrita por Iris Abravanel, a novela ocupou o amargo quarto lugar no horário, o que fez Silvio Santos reagir sem nepotismo. Independente da trama ser escrita pela sua esposa, ele a encurtou em quase dois meses. Originalmente escrita como uma novela radiofônica na década de 60, que fez grande sucesso, a história ganhou uma versão televisiva produzida pela Globo em 1969, que também bombou em audiência. Só a adaptação do SBT é que não deu certo. Pra não dizer que deu tremendamente errado.

9 - Em Família (2014)

Quem diria que Manoel Carlos um dia se tornasse o responsável por um dos maiores fiascos de audiência da faixa das 21h da Globo. O grande cronista carioca aposentou-se deixando-nos como sua última obra o desastre que foi “Em Familia”. O autor estava irreconhecível, criando uma Helena sem carisma, situações absurdas e uma trama que não saía do lugar. Ao invés do clima agradável de suas novelas, mostrando o cotidiano carioca e fazendo com que o público se sentisse parte da história, “Em Família” foi uma novela melancólica, angustiante e muito ruim.

10 - Babilônia (2015)
Este ano, “Babilônia” foi a maior decepção da Rede Globo e dos espectadores, que se entusiasmaram com o folhetim de Gilberto Braga que traria Glória Pires e Adriana Esteves como vilãs. As chamadas fizeram com que o público esperasse uma novela espetacular e o que descobriu-se logo na primeira semana é que o enredo é totalmente sem sentido. A heroína Regina (Camila Pitanga) é mais detestada que as vilãs, as motivações dos personagens não convencem, as atitudes menos ainda, e a trama anda em círculos, dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum. O beijo lésbico foi sim responsável pela queda inicial da audiência, mas os autores não souberam se recuperar. A impressão que se dá é que ninguém se anima em tentar salvar a novela, como se o autores escrevessem apenas para preencher um determinado número de páginas. Somente agora na reta final é que a "Babilônia" ganhou ritmo, mas já é tarde demais.

Deixe seu comentário

Feed posts | Feed comentários

Populares

Arquivos

TOP1@Copyright Todos os Direitos Reservados. Tecnologia do Blogger.

Visitas

- Copyright © Top 1 | Séries de Web -Metrominimalist- Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -