Portado por : Felipe Marques terça-feira, 7 de julho de 2015

NO AR – Entenda o padrão norte-americano de notícias adotado pela Record e ignorado pela Globo

22 - 06.07.2015
Muitos questionaram a respeito da cobertura da mídia na morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo, no último dia 24 de junho. Até a TV Globo, que raramente muda sua grade de programação por qualquer motivo, se viu obrigada a cancelar a Sessão da Tarde e fazer flash diários, devido ao ocorrido. Mas por que a Globo fez isso? Especialista neste tipo de abordagem, a Record incomodou a líder em outras ocasiões parecidas. E devido ao crescimento de audiência da concorrente com a cobertura de casos como este, a emissora carioca se viu obrigada a seguir esse padrão. Que digo a vocês: é o correto quando se trata do ato de informar. (não estou discutindo a relevância ou não do fato)
No dia do ocorrido, a Globo foi acusada de viver um dia de Record, como se fosse um demérito. O jornalista que deu esse título, na verdade, demonstrou desconhecimento do que vem a ser o ato de noticiar. Esta prática, aliás, só tem se tornado mais contundente no Brasil agora, no século XXI, com a democratização da mídia e da internet. A rede dos ‘Marinho’ vêm perdendo audiência ano a ano.
Segundo o dicionário, noticiar significa “dar notícia de; anunciar, comunicar; Publicar, tornar conhecido; Informar-se, inteirar-se”. Para explanar melhor o que eu quero dizer, utilizo de um texto publicado pelo ‘Observatório da Imprensa’, no dia 26/04/2010, sobre qual é o papel da mídia. “Então, o papel da mídia na sociedade é informar, é definir os temas a serem discutidos, é expor ideias e formar opiniões. O papel da mídia é formar cidadãos conscientes e críticos. Mais do que tudo, o papel da mídia é ser leal com o seu público. Sendo assim, a parcela de colaboração da mídia na construção e formação política e cultural da sociedade é significativa. Afinal, a mídia atinge a massa, ou seja, a maioria”.
A Globo, por muito anos, se furtou do seu papel social de informar com correção os fatos sociais, que, infelizmente, são tristes no Brasil. A realidade aqui é cruel para a maioria, mas isso era ignorado. Mas a postura desta empresa de comunicação vem mudando lentamente desde quando a Record resolveu entrar no páreo deste filão de mercado, com um novo jeito de olhar os acontecimentos.
Quem não tem parâmetro de comparação, diz que essa forma de informar é sangrenta. Mas, não se enganem, isso é ser verdadeiro.
Guardada as devidas proporções, a emissora paulista adotou há alguns anos na TV aberta o mesmo padrão ‘hard news’ dos Estados Unidos ao noticiar os fatos. Se vocês pudessem ver como a mídia se posiciona naquele país, iriam falar que a rede brasileira é fichinha perto das de lá. Na América, as emissoras são como urubus. Enquanto não dissecam todos os lados de uma história, não dão paz. Elas esmiúçam a carniça. E o motivo é muito nobre: não deixar nada escondido.
O jornalismo blasé que a Globo fez – e que abdica lentamente – não é jornalismo, é omissão.
Por isso saibam: a Globo só realizou a alteração na grade porque a concorrência está apertando e, como sempre perde no ibope nesse tipo de cobertura, resolveu fazer igual a concorrente para não ficar atrás na audiência.
Os tempos são outros e a emissora já se deu conta disso, ela só não admite.

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